
Sete Perguntas Para o Especialista sobre a Hipnose
O psiquiatra Joel Priori Maia, presidente da Sociedade de Hipnose Médica de São Paulo e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Hipnose responde às dúvidas mais comuns, apontando os limites da técnica e mostrando o que, de fato, a hipnose pode fazer pela saúde MC – Qual a diferença entre o estado de hipnose e o sono? JPM – Durante o sono, acontece uma redução da consciência, em maior ou menor profundidade, com alterações motoras e de sensibilidade. Já na hipnose ocorrem modificações que afetam as áreas do cérebro que controlam a atenção, a concentração e a memória —a pessoa não dorme, mas pode relaxar até mais do que se estivesse dormindo; a sensibilidade aumenta, criando as condições ideais para que o processo de sugestão seja bem-sucedido. Por conta de todas essas alterações motoras e sensoriais, o paciente vai reagir e produzir respostas diferentes das que daria em circunstâncias normais. MC – Algumas pessoas são mais facilmente hipnotizáveis do que outras? JPM – Do mesmo jeito que alguém pode ser mais ou menos sensível a uma medicação, o efeito da hipnose varia na sua intensidade, dependendo da capacidade de sugestão de cada um. Também têm influência o ambiente em que se realiza a sessão, a empatia do paciente com o profissional e a capacitação do hipnotizador. Raça, sexo e idade não influem, mas pesquisas recentes demonstraram que, quanto mais sensível for o paciente, mais facilmente ele vai entrar em transe hipnótico. MC – É verdade que sob o efeito da hipnose a pessoa pode contar segredos, revelar senhas de banco, dizer ou fazer coisas que não diria ou faria em seu estado normal? JPM – Não. Em transe, a pessoa tem acesso a informações que normalmente estão reprimidas, abaixo do limiar da consciência. Mas o paciente está em estado de vigília, permanece alerta e não fica, em nenhum momento, sob o domínio do hipnotizador, ou seja, a pessoa só faz o que quer. Se for estimulada a contar segredos ou a executar atos que contrariem seus princípios morais, a pessoa possivelmente vai despertar logo, quase sempre tensa e ansiosa. MC – É possível não voltar de um transe? JPM – Não existe relato desse tipo na literatura. Pode ocorrer, porém, que o transe esteja tão confortável e prazeroso que o paciente resista e demore um pouco mais para voltar. Mesmo que o hipnotizador abandone o paciente em transe, este simplesmente acordará sozinho. No entanto, se estiver muito cansada, também é possível que a pessoa passe voluntariamente para o sono natural e acorde se for chamada ou quando estiver descansada. MC – A hipnose ajuda a parar de fumar e controlar o peso? E com alcoolismo e dependência de drogas? JPM – Como em outras terapias, o sucesso do método nesses casos depende muito da vontade verdadeira do paciente. Mas a sugestão pode ajudar muito, tornando-se um forte coadjuvante no controle do tabagismo, do alcoolismo e nos casos de dependência de drogas. Em transe hipnótico dá para sugerir e induzir hábitos alimentares sadios, que levam à redução progressiva da obesidade, especialmente quando o ato de comer muito tem a ver com estresse ou ansiedade e outras questões de fundo emocional. MC – E funciona para controlar fobias, ansiedade e depressão? JPM – É na medicina psicossomática, na psicologia e na psiquiatria que a técnica encontra o seu campo mais fértil de aplicação: por exemplo, trata-se de uma das únicas formas de terapia capaz de aplacar e até fazer regredir a ansiedade. Além disso, através da sugestão é possível reeducar o comportamento do paciente, muitas vezes promovendo a solução do problema. MC – O melhor resultado da hipnose é no controle da dor? JPM – Sim. Antes do surgimento da anestesia química, a hipnose foi exaustivamente utilizada como agente anestésico. Hoje é usada em substituição aos analgésicos tradicionais ou associada a eles para garantir sua eficiência. Dores crônicas, como as da fibromialgia, podem se tornar mais suportáveis. Na prática, o efeito da sugestão é o de transformar o sintoma doloroso em uma sensação de peso, por exemplo. Em outros casos, a dor é suavizada pela calma obtida através da hipnose. Fonte: http://revistamarieclaire.globo.com/Marieclaire/0,6993,EML347741-1744-2,00.html |