Consciência e Análise do Comportamento

Um homem pode não saber que ele fez algo.

penso-e-vejo-logo-sinto-e-facoEle pode ter se comportado de uma dada maneira… e, entretanto, ser incapaz de descrever o que ele fez. Os exemplos abrangem desde lapsos verbais não notados até amnésias prolongadas nas quais amplas áreas do comportamento anterior não podem ser descritas pelo próprio indivíduo…

Um homem pode não saber que ele está fazendo algo.

Conduta distraída, maneirismos inconscientes e comportamento mecânico habitual são exemplos comuns… Um homem pode não saber que ele tende a ou está para fazer alguma coisa. Ele pode não estar ciente de tendências agressivas de predileções incomuns ou da alta probabilidade de que ele seguirá um dado curso de ação.

Um homem pode não reconhecer as variáveis das quais seu comportamento é uma função…

Frequentemente esses fenômenos são vistos com surpresa. Como pode o indivíduo não observar eventos que são tão claros e tão importantes? Mas, talvez, devêssemos nos surpreender com o fato de que tais eventos sejam observados tão frequentemente. Nós não temos razão para esperar comportamento discriminativo desse tipo a menos que tenha sido gerado por reforçamento apropriado. Autoconhecimento é um repertório especial. O aspecto crucial não é se o comportamento que um homem não relata é realmente observável por ele, mas se ele teve, em algum dado momento, razão para observá-lo. (Skinner, 1953, pp. 288-289)

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Só pra tentar concluir a definição de consciência na Análise do Comportamento e no Behaviorismo Radical, a consciência é essencialmente produto de uma determinada configuração social à que a espécie humana foi submetida ao longo da evolução – com o agravante de que esse ambiente social foi produzido pela própria espécie, ou seja um troço *meta*- complexo. Ao fim, “ser consciente, como uma forma de reagir a seu próprio comportamento, é um produto social” (Skinner, 1999, p.425).

Disponível em: http://scienceblogs.com.br/ensaios/2010/07/e_possivel_o_estudo_cientifico_1/