Hipnose de Freud até Schultz

Augustus J. de Lima – 25.06.2002

Fotos para o site Aline 048 (1)

1-INTRODUÇÃO.

Nos achados da antiguidade, existem textos, com mais de 4.500 a.C., nos relatando como os sacerdotes da Mesopotâmia, usavam o Transe – “um estado diferenciado da consciência usual” – para realizar diagnóstico objetivando curas. Os Antigos egípcios a 2000 a.C., já utilizavam empiricamente encantamentos, amuletos, imposição de mãos, sem se darem conta da imaginação e sugestão envolvidas nesses procedimentos. Historicamente, os primeiros registros de práticas hipnóticas, remontam a 2400 a.C., na Índia e na Caldéia. Podemos identificá-las, também, na Pérsia, Babilônia, Assíria, Suméria, Egito, Grécia, Roma, nos antigos Hebreus, nos Deltas. Nesses povos, magia, religião e medicina se confundiam. O termo hipnos-gnose derivado do grego (hypnos = sono), foi cunhado (1784-1860) pelo médico James Braid, que escreveu o livro Neurohipnologia, e tem a ver com o estudo dos fenômenos do sono.

O nome escolhido advém de Hypnos – deus grego do sono – e foi escolhido devido a semelhança do estado de transe com o estado de sonolência. Vemos assim, que desde seu surgimento, a hipnose sempre esteve vinculada à busca da cura e é neste sentido que a ciência médica atual pesquisa não só a extensão que se pode obter, com o seu emprego, e também as respostas de como e porque o cérebro processa o estado hipnótico. Com uma grande variedade de nomes, a hipnose é utilizada por milênios como uma forma de atuar no comportamento humano. Jean Martin Charcot (1825-1893) notabilizou-se pelas curas hipnóticas da histeria. O que levou ao início do estudo científico da hipnose. Em 1885, Josef Breuer publicou, juntamente com Freud, o famoso caso Anna O. como “Estudo sobre a histeria”. A partir daí, Freud iniciou a prática da hipnose. O interesse pela hipnose teve seu recrudescimento durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial como forma de tratamento das neuroses traumáticas de guerra. A hipnose tem recebido dentro da terapêutica uma série de nomes. Chegou-se até a criar-se uma ciência: hipnologia. Hoje se define hipnose, ou transe hipnótico, como um estado modificado da consciência, mais próximo da vigília do que do sono, caracterizado pela dominância das frequências alfa e teta no eletroencefalograma. Atualmente, com outros nomes, há uma profusão de técnicas que, na realidade, são hipnose: PNL, Controle Mental, Parto Sem Dor, Regressão de Idade, Regressão a Vidas Passadas, Regressão de Memória, Hipnose Light.

A hipnose é um estado de passividade cerebral, no qual há inibição da consciência periférica. Distingue-se do sono fisiológico, visto que a hipnose não ativa o sistema hipnogênico do tronco cerebral. Estudos realizados em sujeitos hipnotizados acusam EEG semelhante ao da vigília relaxada. Os reflexos neurológicos encontrados no sono fisiológico não são encontrados no sujeito hipnotizado. No estado hipnótico, contudo, são encontrados: dissociação, sugestionabilidade e hipermnésia, facilitando o acesso à vida interior do indivíduo (subjetividade). Esse estado, que é passageiro, ocorre, diariamente, em algum grau de profundidade, em todos os cérebros normais. Durante o transe hipnótico, a mente está por um tempo dissociado, porém com a atenção e a concentração hiperfocalizadas num ponto. Nesse momento, a fisiologia das funções corporais se modifica, e sabe-se que durante o transe modificam-se também a memória, a aprendizagem, o comportamento e o humor, o que favorece o auto conhecimento, a compreensão e a mudança emocional. Outra forma de hipnose, normalmente observada em alguns cultos afros, exorcismo, movimentos de massas, seitas e religiões de forte apelação emocional é obtida através da excitação supramaximal, por estímulo sensorial ou forte emoção. Nesse estado, onde há predominância do sistema simpático, há descargas vegetativas violentas que, entretanto, funcionam como auto-regulação. São frequentemente observados nessa forma de hipnose, fenômenos tais como amnésia, anestesia, catalepsia, alucinações, etc. Os fenômenos mais conhecidos são representados, inicialmente, por bradicardia e bradipneia, vasodilatação periférica, relaxamento muscular, ou rigidez muscular, imobilidade ou agitação psicomotora temporárias, analgesia e anestesia superficial, amnésia parcial temporária, hipermnésia focal, distorção do tempo, regressão na idade, pseudo-orientação do tempo no futuro, progressão na idade, alucinações positivas e/ou negativas, escrita automática, anestesia profunda, amnésia profunda e sugestão pós-hipnótica, além de outros fenômenos, alguns deles semelhantes ao sonho.

A hipnose é dividida didaticamente, em hipnose direta ou convencional e hipnose indireta, natural ou Ericksoniana. A hipnose direta compreende as técnicas diretas como o relaxamento progressivo de Schutz, a do pestanejamento sincronizado comandado, etc. E se caracteriza pelo estímulo dinâmico e o transe estático ocorre pela fadiga dos centros sensoriais. A fenomenologia hipnótica expressa pelo paciente é especialmente útil para o hipnoterapeuta, que aproveita esse rico momento de mudança interior para realizar a ressignificação de crenças e comportamentos, tratando problemas físicos e ou emocionais emergentes através da hipnoanálise e da hipnoterapia. O método de hipnose criado por Milton H. Erickson consiste em fazer um tipo exclusivo de transe para cada cliente. Mesmo que seguindo uma forma de indução padronizada, fazendo-o ficar ao molde do seu cliente, de acordo com um critério de avaliação de como cada pessoa é, como cria seu sintoma, como é sua resistência, e assim por diante. As técnicas Ericksonianas ou naturalistas, usa-se muitas histórias, metáforas, anedotas, pois consiste em aprender junto ao cliente sobre a melhor forma de induzi-lo ao tanse hipnótico. O transe hipnótico favorece os diálogos mente, corpo, consciência – inconsciente; hemisfério cerebral direito – hemisfério cerebral esquerdo, favorecendo os processos de auto – regulação e autocura. Deve-se ter em mente que a hipnose, não substitui os procedimentos médicos ou terapêuticos.

HIPNOSE NÃO É PSICANÁLISE. É absolutamente ilícita, a prática da hipnose como pura experiência, como coisa interessante, como passatempo de desocupados, como meio de vida de curandeiros e charlatães e, sobretudo, como espetáculos ou festivais de palco. Segundo Freud, a hipnose é censurável por ocultar a resistência e por ter assim impedido ao médico o conhecimento do jogo das forças psíquicas. E não elimina a resistência; apenas a evade, com o que fornece tão-somente dados incompletos e resultados passageiros. Parece-me que a prática da hipnose não deveria sair dos limites dos Institutos Universitários de Psicologia/Psicanálise e das clínicas médicas.

2-ALGUNS MITOS SOBRE HIPNOSE.

A hipnose é terapia ou psicanálise ? Falso.

A hipnose é mais uma ferramenta que pode ser utilizada em uma terapia. A psicanálise utiliza o método da livre associação.

Existe hipnose sem permissão? Falso.

É preciso a concordância do sujeito que vai ser hipnotizado para que o efeito hipnótico aconteça. Não há hipnose sem a anuência do sujeito. Não há perda do livre arbítrio em estado hipnótico. Não há perda de consciência na hipnose. Existe um estado de atenção concentrada. Existe um aprofundamento dos conceitos e valores.

Durante a hipnose se perde a lucidez? Falso.

Caracterizada por um estado de profundo relaxamento onde o paciente mantém a lucidez e se mostra altamente responsivo às sugestões, se pode observar que existe um aumento da capacidade de concentração. Esta concentração pode ser direcionada a execução de determinadas atividades orgânicas internas a nível até mesmo celular. Aumentando e melhorando o trabalho destas células, glândulas, órgãos ou sistemas a favor de uma recuperação mais rápida e mais eficiente. E diminuindo os fatores que intensificariam esta doença. Este mesmo recurso é conseguido a noite ao dormir ou quando a pessoa esta em repouso (convalescente). A atividade orgânica esta diminuída e mais energia fica disponível para a recuperação e reposição de substâncias e estruturas ao corpo, maior concentração no trabalho e na atividade celular. A diferença é que na hipnose este recurso pode ser conduzido.

Como definir o estado hipnótico? Dá-se este nome, escreve Jolivet, a uma espécie de sono anormal cuja profundeza é variável, e durante o qual o sujeito se levanta, escreve ou fala, isto é, realiza o seu sonho. Distinguem-se os sonambulismos naturais ou espontâneos, estados patológico que em geral se desenvolve no curso do sono, e os sonambulismos artificiais ou provocados, que é uma forma do estado hipnótico, caracterizado pelo fato de se poder conversar com o sujeito, que, de seu lado, pode apresentar, para um observador inadvertido, a aparência de uma pessoa normal e perfeitamente acordada.

Os estados da consciência são:

a)Vigília: são ondas cerebrais do tipo beta.

b)Estado alterado da consciência: estágio intermediário entre a vigília e o sono. São ondas do tipo alfa.

c)Sono: são ondas cerebrais do tipo delta e teta. Fase REM do sono (fase de movimentos oculares rápidos), é o momento onde geralmente ocorrem os sonhos. Fase NREM do sono.

Todas as pessoas são hipnotizáveis? Falso.

Somente 10% da população não é hipnotizável, ao contrário do que se acreditava. Pessoas alcoolizadas ou com deficiência mental estão nesse grupo. Crianças de pouca idade são hipnotizadas, mas com maior dificuldade. Existem três estágios de profundidade hipnótica: leve, médio e profundo. O estágio mais profundo só é percebido numa pequena parte da população. Daí a conclusão errada que somente 10% da população era hipnotizável

A hipnose é causada pelo poder do hipnotizador? Falso.

Esta idéia vem desde os tempos de Mesmer, que vinculou o transe ao poder do magnetismo animal. Porém a hipnose não acontece apenas pelo poder do hipnotizador, mas pela aceitação e interação da pessoa que entra em transe e deseja experimentar aquilo que se pede. A hipnose só acontece quando existe a empatia (interação e confiança) entre o hipnotizado e o hipnotizador.

O hipnotizador controla o desejo do paciente? Falso.

O sujeito é protegido pelo inconsciente de fazer aquilo que não deseja. Caso ele faça é porque julgou inofensivo, ou por acreditar que aquilo possa ajudar. A pessoa pode não voltar do transe, ficar presa nele? Falso O máximo que acontece é a pessoa adormecer, que seria o passo seguinte ao transe profundo. Sabe-se que o transe é um estado entre a vigília e o sono. Se você aprofunda, dorme e pode ser acordado.

A hipnose é sono? Falso.

A hipnose é um estágio anterior. Às vezes, confunde-se o estado da pessoa em transe profundo, pensando que adormeceu. Mas mentalmente a pessoa é capaz de estar concentrada e com certo grau de consciência e responder aos seus comandos, ou seja, a pessoa está relaxada de forma alerta.

Toda hipnose tem regressão? Falso.

Para haver regressão é necessário um transe médio ou profundo na hipermnésia e nem toda pessoa regride. A regressão não é hipnose. Na regressão as memórias podem ser construídas. O que vale é a realidade psíquica para o trabalho na psicanálise.

Há perigos na hipnose? Verdadeiro.

Os riscos existem quando o paciente se presta a participar de shows e demonstrações sem finalidades terapêuticas que normalmente são conduzidas por pessoas que se intitulam hipnotizadores, sem formação profissional adequada, podendo este leigo prejudicar o paciente. É uma técnica que trabalha com o desconhecido, a mente inconsciente do ser humano. Ela pode ser uma ferramenta de trabalho para o psicoterapeuta, entretanto se torna uma arma perigosa se aplicada indevidamente por pessoas não qualificadas ou mal intencionadas.

Uma pessoa hipnotizada revela seus segredos involuntariamente? Falso.

A pessoa só falará, se assim o desejar, porque pode ocorrer a hipermnésia, a lembrança vívida de um fato esquecido.

3-ALGUNS CONCEITOS SOBRE HIPNOSE. Entre os conceitos já aceitos, está o de um “estado natural de consciência, diferente do estado de vigília”. Segundo o Aurélio, “estado mental semelhante ao sono, provocado artificialmente, e no qual o indivíduo continua capaz de obedecer às sugestões feitas pelo hipnotizador”. Segundo Milton Erickson, “suscetibilidade ampliada para a sugestão, tendo como efeito uma alteração das capacidades sensoriais e motoras para iniciar um comportamento apropriado”. O transe é um estado de sugestibilidade intensificado artificialmente e semelhante mas não igual ao sono, no qual parece ocorrer uma dissociação dos elementos conscientes e inconscientes do psiquismo. A sugestão e a auto-sugestão fazem parte do transe. A sugestão seria uma comunicação associada a uma influência que assim provocaria a absorção da mente consciente, que fica focalizada em algum tipo de absorção sensorial e ideativa. Desta maneira, ocorre à oportunidade da mente inconsciente se manifestar, em diversos níveis, através dos fenômenos hipnóticos.

As experiências com a hipnose existem desde a mais remota antiguidade. Na Caldéia, Índia e Egito faziam parte de uma ciência experimental, considerada secreta, à qual só tinham acesso, castas privilegiadas. Com o passar do tempo, os fenômenos psíquicos, que eram considerados sobrenaturais, passaram a ser visto sob a luz da razão, e estudados como poderes exercidos pelo próprio homem. No entanto, hoje em dia, parece que voltamos atrás, e muitos consideram a hipnose como algo mágico, até se surpreendendo pela forma como é realizada ou julgando que não foram “realmente” hipnotizados. Isso porque, atualmente, não é tão comum utilizar-se a hipnose inconsciente, ou seja, a pessoa parece que adormece e não recorda o que aconteceu ao voltar ao seu estado normal. Hoje, a hipnose é realizada com a pessoa totalmente consciente, sabendo tudo que está acontecendo ao seu redor. Na hipnose tradicional, observa-se que existem pessoas hipnotizáveis e outras que não conseguem entrar em transe, por mais que o hipnotizador se esforce. Isto se dá porque as pessoas não gostam de se sentir controladas. Geralmente, elas preferem sentir que não estão sendo forçados a nada ou que tem várias opções a escolher. Muitos psicólogos e psiquiatras, estudaram os métodos de Erickson a fim de tentar descobrir um padrão que pudesse lançar alguma luz as suas curas aparentemente milagrosas. Quando se perguntava a ele sobre sua técnica terapêutica, ele geralmente respondia que não sabia explicar. Apenas se preocupava em observar o cliente e segui-lo, fazendo-o que não se desviasse do caminho. Foi a partir da observação de seu trabalho, que se pôde descobrir muita coisa de seu modo de fazer terapia. A partir dessa observação, John Bandler e Richard Grinder , Gregory Bateson, William H. O’Hanlon, Ernest Rossi e outros, desenvolveram a Programação Neuro Lingüística que é considerada uma entre as diversas tentativas de sistematização dos métodos de Erickson. O termo Hipnose “abrange qualquer procedimento que venha causar, por meio de sugestões, mudanças no estado físico e mental”, podendo produzir alterações na percepção, nas sensações, no comportamento, nos sentimentos, nos pensamento e na memória. Uma das críticas que se fez é de que a hipnose aumenta a erotização. No entanto ela aumenta qualquer coisa que seja policiada. A hipnose é um processo que se torna perigoso na medida da contra – transferência, isto é do envolvimento dos conteúdos inconscientes do terapeuta. Neste ponto ela é tão perigosa quanto qualquer processo terapêutico no qual a contra – transferência desempenhe um papel. O aspecto fisiológico mais importante da hipnose é a inibição cortical e o aspecto psicodinâmico mais importante é a regressão, que se dá em todos os sentidos: neurofisiológico (de estruturas mais evoluídas a menos evoluídas), psicodinâmico (de um estado superior de raciocínio a um estágio inferior). No que diz respeito ao aspecto psicanalítico puro pode-se dizer que há diluição do ego, que é formado a partir do id, em contato com a realidade consciente. A regressão é positiva na medida que é interpretada. O que acontece é que a hipnose quebra a resistência que defende o indivíduo da regressão! O indivíduo resiste à hipnose por que tem medo de regredir! Esse fator é de extrema importância. A diluição do ego se processa em qualquer processo terapêutico, mas na hipnose é mais rápido, inclusive no sentido neurofisiológico de esquema corporal (vide as sensações sinestésicas quando o corpo não é sentido).Assim, a resistência à hipnose é grande, por parte do paciente. O ego está intimamente relacionado ao esquema corporal. Este conceito não pode ser abandonado. O espírito existe em função do organismo que o suporta, não podemos esquecer disso. Desaparecendo o ego psíquico, desaparece o ego somático. Disto o indivíduo se defende com unhas e dentes. Não se deve esquecer também que a resistência é um fenômeno inconsciente. Caso o paciente fique angustiado durante o processo de relaxamento, percebendo angustia é de bom senso que o operador converse e tranqüilize o cliente. Como há muita resistência do paciente à hipnose, podemos chamá-la de relaxamento…mas, se mesmo assim houver resistência é melhor abandonar o método. Não temos direito de forçar alguém a qualquer coisa. Um perigo muito comum na hipnose é a natureza humana do terapeuta. Uma das falhas é a onipotência, outra é a displicência. Grande parte dos insucessos na hipnose deve-se ao fato do operador desconhecer os processos dinâmicos. A hipnose não é um processo sugestivo mas neurofisiológico, embora seja verdade que a sugestionabilidade aumenta, nem bem a censura diminui.. A passagem da hipnose ao sono é um mecanismo de defesa. A hipnose é uma condição ou estado alterado de consciência, como o sono ou a vigília (estado acordado), caracterizado por um marcante aumento de receptividade à sugestão, de capacidade para modificação de percepção e memória e o potencial para o controle sistemático de uma variedade de funções fisiológicas usualmente involuntárias.

4-UMA BREVE BIOGRAFIA DE FRANZ ANTON MESMER. Mesmer criou a chamada cuba mesmérica, enorme banheira com uma alça de ferro: a pessoa entrava na banheira, Mesmer tocava na alça e a pessoa entrava em hipnose. Os médicos daquela época achavam que Mesmer estava fazendo concorrência desleal. Foi denunciado e organizou-se uma comissão para julgá-lo, da qual Lavoisier fazia parte. Para que haja o processo hipnótico, o fator de maior importância reside no paciente, cabendo ao hipnotizador despertar essas faculdades latentes. A inobservância dessa condição foi uma das causas da condenação de Mesmer, porque os membros do júri não tinham a intenção de serem hipnotizados. Foi condenado por suas práticas e teve que deixar o país. Vamos ver um pouco mais da sua biografia. Mesmer nasceu na Alemanha em 1734 e foi o precursor do “magnetismo animal”, onde buscou na leitura das obras de Paracelso. Todavia, alguns autores afirmam que ela provém da surpresa que causou a Mesmer umas curas milagrosas, operadas por certo nobres estrangeiro, em sua esposa, por meio de um ímã encomendado ao astrônomo Maximiliano Hell, segundo Van Pelt. Mesmer foi o delineador dos princípios básicos do moderno hipnotismo, que alteraram os fundamentos da Medicina ortodoxa, até nossos dias. Franz Anton Mesmer admitindo, como pedra angular, a hipnose de Paracelso, convenceu-se posteriormente, de que o organismo humano pode sofrer a influência magnética de outro indivíduo. Este conceito, que atribuía ao organismo humano qualidades até então insuspeitas, exacerbou as iras dos mais ilustres cânones da Medicina Oficial, criando-lhe o mais duro calvário até hoje sofrido por um médico. Mesmer, contudo, suportou-o com inabalável fé em suas idéias, dentro da mais estrita ética profissional e com edificante dignidade. Seus adversários, que o tachavam de charlatão, toleraram-no enquanto ele acreditava na influência do ímã, suspenso às árvores do seu belo jardim de Landstrasse, ou colocado defronte a espelhos, enfim, sob todas as condições experimentais, inclusive Ana sua célebre cuba de água. Até aí, nada mais fazia do que parodiar e prestigiar o famoso Paracelso. Entretanto o furor dos espíritos conservadores o arrastou ao pelourinho, quando ele passou a desprezar o ímã, afirmando, com insólita coragem, a existência de um princípio novo na terapêutica, isto é, que, das mãos de um operador treinado, partiam fluidos desconhecidos, capazes de curar as mais rebeldes enfermidades. Estava estabelecido o princípio do magnetismo animal. Por outro lado, é mister reconhecer que a nova teoria, não suscitou somente adversários. Além da numerosa clientela, que granjeou em Viena e Munich, e, posteriormente, em Paris, teve seus méritos reconhecidos por autoridades do porte de Van Swieten. O Eleitor da Baviera chamou-o para seu serviço e o Conselheiro da Academia de Augsburgo declarou: “O que Franz Anton Mesmer conseguiu aqui, em várias enfermidades, faz supor que arrebatou à natureza um dos seus mais misteriosos segredos”. A campanha difamatória, porém, prosseguia impiedosa, obrigando-o a retirar-se da Alemanha e buscar refúgio em Paris. Aí montou seu consultório, onde adquiriu rapidamente fama extraordinária, chegando a perceber uma pensão anual do Rei. É possível que, além do acicate de opiniões arcaicas, interesses pessoais e mesquinhos alimentassem o fogo dessa campanha demolidora contra Mesmer. Não faltou, por fim, quem convencesse o rei Luiz XVI de que Mesmer deveria ser submetido a testes, que comprovassem ou desmascarassem a veracidade de suas afirmações. Sob a pressão dos seus detratores, a Academia de Ciências de Paris foi compelida a dar seu “veredicto” sobre o caso. Luiz XVI, que, pessoalmente, fugia a qualquer responsabilidade, apressou-se em nomear uma comissão, composta, aliás, das maiores sumidades da época. Como membros desse memorável júri, figuravam: Lavoisier, o criador da Química Moderna; Benjamin Franklin, o inventor do pára-raios; Bailly, astrônomo de renome; Jussieu, notável botânico e um certo doutor Guillotin, que inventaria mais tarde uma máquina que provocou o estado hipnótico “ad perpetuam” em seus ex-colegas de comissão, os doutores Bailly e Lavoisier e ao próprio Luiz XVI. Jussieu negou-se a assinar o relatório, alegando que algo havia de positivo nas demonstrações mesmérica. Entretanto, vence a maioria, ainda que cega. Para se compreender, o absurdo da época, que só dava crédito a fenômenos materialmente evidentes. Embora declarando, a certa altura do relatório, que “não há nada mais estranho do que o espetáculo dessas convulsões”, que “quem não viu, não pode sequer imaginá-las”, e que “Mesmer, com sua força magnética, os conserva subjugados” etc. encerrando a questão decidindo pela nulidade do magnetismo. Não negavam os fato, porém arrasavam Mesmer. Os componentes da comissão, após assistirem às demonstrações, constataram fenômenos extraordinários; pelo fato, porém de não terem experimentado sensação alguma, ao introduzirem as mãos na cuba de água magnetizada e de não haverem caído em transe, quando submetidos à experiências, concluíram pela inexistência de fluido, dando assim, um golpe de morte na reputação do mestre. Não compreenderam que, mesmo não existindo o fluido, seria impossível negar a positividade das experiências. Acusado de charlatão, Mesmer caiu no ostracismo; obrigado a retirar-se da França, voltou à sua terra, onde, quarenta e cinco anos mais tarde, recebeu a notícia de que a Academia de Medicina da Cidade Luz o convidada a retornar a Paris, depois de apurar a veracidade do hipnotismo. Era, todavia, demasiado tarde. Mesmer, já velho e cansado de lutar, declinou da honraria e preferiu passar o resto de seus dias, como o cientista probo que sempre fora, porém, simples médico de aldeia, aliviando de seus males os pobres camponeses, Põe meio da ciência cujo véu levantara. Mesmer teve, contudo, a satisfação de ver, em vida, as suas idéias propagadas por todos os cantos do mundo. Suas teorias receberam o nome de “Mesmerismo” e subdividiram-se em várias escolas, que atingiram grande esplendor.

5-UMA BREVE BIOGRAFIA DE MILTON H. ERICKSON E O SEU MÉTODO. Milton Erickson é considerado o maior hipnotizador de todos os tempos e tinha a fama de conseguir hipnotizar qualquer pessoa. Realmente, todos os que o viram trabalhar, puderam observar a veracidade disto. Ele tinha muitas técnicas que adaptava a cada paciente. Não haviam para ele técnicas padronizadas que servissem para todos os casos. Erickson quando tinha 17 anos, contraiu paralisia infantil, sendo obrigado a permanecer quase toda sua vida em uma cadeira de rodas. Filho de fazendeiros, quando teve poliomielite, à beira da morte, foi diagnosticado pelo médico que disse à sua mãe e ele pôde ouvir que “este menino não verá o dia amanhecer, morrerá antes disso”. Raivoso e indignado pensou: “Se eu vir o sol nascer, por certo não morrerei”. Aos primeiros raios de sol, percebeu que não morreria, se entregou e entrou em coma profundo, vindo a despertar uns dias depois, já refeitos do pior, a morte. Mais tarde, constatou o primeiro ideodinâmico. Aquele que diz que uma idéia (um pensamento) é um ato em estado “nascendi”, como disse Freud. Algo que vem de dentro. Uma pessoa que experimenta a motivação como força básica motivadora desenvolveu isto junto à hipnose: força de dentro. Uma resposta interior. Terminou seus estudos em psiquiatria e psicologia em 1929. Logo concluiu que os métodos então usados para tratar os pacientes, eram muito lentos e, no seu entender, pouco eficientes. Ainda não havia o arsenal de medicamentos hoje usados em psiquiatria e ele interessou-se logo pela hipnose começando a desenvolver seus próprios métodos e técnicas. Ele deixou poucos escritos, pois se preocupava com as pessoas que tentavam banalizar suas abordagens terapêuticas, temendo que assim pudessem ser deturpadas e mal aplicadas. Na abordagem hipnótica Ericksoniana, procura-se não introduzir qualquer conteúdo na indução, de modo que o próprio sujeito tenha a liberdade de escolher o tipo de experiência que quer ter. Desse modo, o hipnólogo, não corre o risco de introduzir sugestões que possam atrapalhar o aprofundamento do transe e elimina qualquer possibilidade de resistência, já que o paciente não se obriga a aceitar as sugestões. Na hipnose tradicional, geralmente é sugerido muito conteúdo que as vezes pode se chocar com as opiniões e fobias do sujeito. Como exemplo, com um cliente que tenha fobia por água, quando você sugere que ele está mergulhando em um lago, ele pode entrar em fobia e sair do transe. De acordo com Erickson os pacientes já têm em seu inconsciente todos os recursos necessários para resolver seus problemas e o terapeuta tem apenas que fazer com que eles entrem em contato com estes recursos. Erickson também procurava não entrar em choque com as crenças e opiniões do paciente. Ao contrário, usava qualquer coisa trazida pelo cliente para induzi-lo ao transe. Preocupava-se também em deixar opções ao paciente, para que ele não se sentisse forçado a nada, o que é a maior causa de resistência. Por isto, usava palavras de permissão como, você pode e talvez. Ao invés de se dizer: você está vendo um lago, usa-se você pode estar vendo algum lugar muito relaxante. Desse modo, o sujeito não se sente pressionado a adaptar sua experiência à sugestão de um lago, mas pode estar se vendo em um ambiente que para ele em especial é muito relaxante. A hipnose Ericksoniana exige do hipnólogo um grande treino na observação das chamadas “Pistas não verbais”, como pequenos movimentos dos olhos, posturas corporais, expressões faciais, etc. Ele pode assim, adaptar sua linguagem, seus gestos e expressões, ao modo particular do cliente, preferindo sempre usar palavras do canal sensorial preferencial dele (Visual, Auditivo ou Somático) e até imitar seus gestos e posturas de modo sutil para que não seja interpretado como uma grosseria. A isto se denomina acompanhamento e espelhamento. Pode-se também acompanhar o ritmo respiratório do cliente, falando quando ele inspira e intervalando a fala quando ele expira. O hipnólogo permanece o tempo todo sintonizado no cliente, acompanhando suas reações, validando qualquer experiência que esteja percebendo, e reforçando tudo que observa. Dá apenas sugestões que tenha a certeza de que não entrarão em choque com a vivência do sujeito. Assim, só se fala em aprofundar o transe, quando é possível perceber sinais não verbais de que ele está entrando nele. As principais estratégias usadas por ele relataremos abaixo, baseadas no livro de William H. O’Hanlon – Hipnose centrada na solução de problemas.

Elementos da Indução

a) Permissão, validação, observação, utilização : qualquer reação, comportamento e experiência são validadas pelo terapeuta. Isto consiste em Aceitar o cliente como se apresenta e usar seus próprios sintomas, crenças e até sua resistência à hipnose para fazê-lo entrar em transe. Permissão significa dar opções ao paciente, usando as palavras pode e talvez, ao invés de previsão – “acontecerá”. Observação e incorporação das reações – dizendo simplesmente o que observa e utilizando para sugerir que isto tudo pode levá-lo ao transe.

b). Evocação ao invés da sugestão : fazer comparações entre hipnose e outros estados que o paciente já experimentou antes ou lembrá-lo de recursos que o terapeuta sabe que ele tem.

c) Pressuposições, implicações, dicas contextuais : Pressuposições verbais: Ilusão de alternativas como você pode ser hipnotizado de olhos abertos ou fechado, dando a ilusão de que o cliente pode escolher, mas na verdade pressupõe-se que ele será hipnotizado.

d) Dicas contextuais: são palavras colocadas no texto da conversa que sugerem o transe, como conforto, relaxado, etc.

e) Sincronização: não verbal, ritmo, posturas, qualidade da voz, ritmo respiratório, observação do comportamento, são respostas de espelho. Começa-se a indução copiando ou “espelhando” o cliente em todos seus gestos, posturas, ritmo respiratório, etc. e depois, aos poucos vamos modificando nosso comportamento e observando se o paciente nos acompanha. Quando isto começa a acontecer, é um sinal de que ele esta entrando em transe.

f) Descrição: para ganhar credibilidade, descrevemos a cena que vemos, mas tomando o cuidado de não tentar adivinhar a experiência do cliente. Assim, só afirmamos o que temos certeza. Por exemplo, podemos descrever: enquanto você permanece aí sentado nesta cadeira, com a perna direita cruzada sobre a esquerda, ouvindo minha voz, com os olhos fechados e respirando tranquilamente, você sente o peso de seu corpo sobre a cadeira, você coça o queixo …

g) Palavras de permissão e de transferência de poder : em continuação as descrições explicadas acima, podem incluir alguma coisa que não estamos observando, mas que tem grande possibilidade de estar acontecendo. Para não correr riscos, devemos ser vagos, evitando colocar conteúdo no que falamos, abusando das alternativas. Podemos falar, por exemplo, em continuação ao que falamos acima: e você parece estar se sentindo muito confortável, não está? Esta é uma ótima palavra porque cada pessoa tem o seu conceito de conforto e pode imaginar o que quiser. A palavra parece, nos livra da possibilidade do cliente achar que estamos invadindo a experiência dele e a negação no final, deixa-o livre para sentir-se ou não “confortável”.

h) Divisão: consciente/inconsciente; aqui/lá; presente/futuro; dentro/fora. Pode ser também não verbal, utilizando-se de gestos com as mãos ou com a cabeça enquanto falamos. Quando estamos sugerindo ao paciente que ele tem um lado consciente e outro inconsciente, podemos virar a cabeça para a esquerda ao falar consciente e para a direita quando falar inconsciente. Ao fazer isto, toda vez que tombarmos a cabeça para um lado, o paciente saberá com qual de suas partes estamos falando. Isto se chama ancoragem. Este gesto de cabeça era um modo muito utilizado por Erickson que economizava muito seus gestos, talvez até devido à sua deficiência física, mas tornou-se um procedimento de ancoragem visual muito difundido entre seus discípulos.

h)Ligação: artifício de linguagem que liga duas coisas que não estavam ligadas. Quando ligamos duas frases que necessariamente não tem relação de causa e efeito isto soa verdadeiro. Podem-se também fazer várias afirmações verdadeiras e no final, ligá-las a outra coisa que não tem relação com o que foi dito e mesmo assim, o cliente aceita como verdade. Na ligação verbal, podemos falar: Você está sentado nesta cadeira e pode entrar em transe. É claro que o fato de estar sentado na cadeira não tem ligação com entrar em transe mas, colocado no contesto da indução, soa como verdade. Pode-se falar também: “Quanto mais seu consciente se distrair com os sons desta sala, tanto mais facilmente você entrará em transe…”.

i)Intercalar: Esta é uma técnica poderosa porque fala diretamente ao inconsciente e pode-se induzir um transe até sem que a pessoa perceba. Consiste de elaborar uma conversa informal e intercalar sugestões na frase, dando ênfase às palavras que interessam com mudanças na entonação, ritmo, volume etc. de nossa voz. No interior de uma mensagem maior existe outra mensagem, um subtexto. Como exemplo, vejamos uma frase de William O’Hanlon: “Lembra-se daquele tempo quando nem tudo estava pesando em suas costas” e você podia relaxar? Ou se sentir mais confortável? Mas, tenho certeza de que, no passado você já tentou aliviar o “peso das suas costas” com o relaxamento. Você já se sentiu relaxado e confortável.” Costas, relaxar, confortável, costas, relaxamento, relaxado e confortável. Esta é a mensagem embutida no texto que entrará direto no inconsciente, fazendo com que o paciente relaxe suas costas.

j)Por último, vamos falar sobre o termo “Ancoragem” : uma âncora, é qualquer estímulo que percebemos com nossos sentidos e que nos faz recordar com todos os detalhes de algo do passado. A ancoragem é natural no ser humano. Como exemplo, quando ao ouvir uma determinada música que em nossas lembranças, foi ouvida em uma ocasião marcante do passado, parece que retornamos ao fato e revivemos todas as emoções e sensações daquele momento. Os casais costumam ter a “nossa música” que ao ser ouvido, o fã lembrar da juventude, quando estavam muito apaixonados. As âncoras podem referir-se a uma imagem, sendo chamada de imaginativa ou a qualquer canal sensorial: visual, auditivo, somático, tátil e olfativo. Assim, temos âncoras verbais e não verbais. As vezes, um perfume pode remeter-nos direto a um fato do passado. O terapeuta pode se utilizar desse conhecimento e criar âncoras no paciente com a finalidade de ter acesso a um recurso útil para ajudá-lo em seus problemas. A Terapia da Regressão utiliza-se muito das âncoras para acessar o inconsciente e recuperar fatos da memória. Quando perguntamos ao paciente sobre seu sentimento, onde ele sente este sentimento em seu corpo e pedimos para ele ampliar estas sensações, estamos usando âncoras. A âncora é conhecida pelos hipnólogos tradicionais como signo sinal. Pode ser usada pelo paciente para ajudá-lo a ter acesso a um recurso interno, no momento em que ele precisar.

6-A FICHA CLÍNICA E A SUA IMPORTÂNCIA NA PRÁTICA DO CONSULTÓRIO.

6.1-FICHA DE ANAMNESE. 01 Nome: Data nascimento 02 Endereço: Telefone: Celular: E-mail: Fax: 03 Filiação Pai: Mãe: 04 Profissão: Estado civil: 05 Religião: Escolaridade: 06 Possui irmãos: Quantos: Qual a sua relação entre eles : Boa: Ruim: 07 Usa bebidas alcoólicas: Sim: Não: Usa drogas? Sim: Não: É fumante ? Sim: Não: 08 Está grávida ? Sim: Não: Está no período menstrual ? Sim: Não: 09 Está em tratamento médico? Sim: Não: 10 Tem ou já teve alguma enfermidade importante ? Úlceras digestivas ou gastrites Sim: Não: Doenças cardíacas Sim: Não: Tuberculose Sim: Não: Asma Sim: Não: Sinusite Sim: Não: Sofreu alguma fratura Sim: Não: Doença renal Sim: Não: Diabetes Sim: Não: Cefaléias Sim: Não: Insônia Sim: Não: Tonturas Sim: Não: Desmaios Sim: Não: 11 Qual é sua a queixa principal? 12 Qual é a quantidade de amigos que você tem? 13 Qual é o seu passa tempo preferido: 14 Tem medo de alguma coisa? De que ? Sim: Não: 15 Já fez relaxamento hipnótico anteriormente? Assinatura do paciente concordando com o tratamento Data

6.2- A IMPORTÂNCIA DA ANAMNESE. Em psicanálise, anamnese é o primeiro ou segundo contato. É a ocasião em que o paciente chega ou é trazido, e neste caso já temos uma forte contra-indicação para a análise. O ideal é que o paciente venha de livre e espontânea vontade. Se bem que às vezes necessite de apoio, do encorajamento de alguém, da família ou não. Na anamnese primeiramente ouvimos as razões de nossa procura, e em certos casos já podemos refugar um paciente neste estágio, se constatarmos tratar-se de psicótico ou alguém que conhecemos. De posse dessas informações , o psicanalista terá uma visão da analisabilidade, das possibilidades de formação do par analítico, do “rapport” ou empatia, das condições sócio-econômicas que darão sustentação ao processo. Na anamnese o psicanalista não deve prometer nada, além de sua boa vontade para com o caso.

6.3- A UTILIZAÇÃO DA HIPNOSE CLÍNICA PODE SER APLICADA NOS SEGUINTES GRUPOS: a) Como uma técnica que promove saúde e exercícios profiláticos em indivíduos sujeitos ao estresse: b) Como um método através do qual o indivíduo pode controlar funções autônomas e, deste modo, superar sintomas desagradáveis ou perturbações autônomas; c) Como um tratamento para uma ampla variedade de condições psicossomáticas; d) Como um subsidiário ou ferramenta da psicoterapia, liberando memória reprimida e sensações, especialmente produzindo catarse em pacientes que sofrem de sintomas histéricos; e) Como um método quer alivia dor e induz anestesia.

6.4-TÉCNICAS PSICOTERÁPICAS SOB HIPNOSE. Numa diretriz organizada não podemos separar teorias neurofisiológicas de teorias dinâmicas. Rosen diz que a hipnose não é um processo terapêutico. Através dela se consegue alguma coisa, inclusive uma terapia. Morais Passos denomina as técnicas psicoterápicas sob hipnose de técnicas hipnoterápicas. Torres Norry tem uma escala de profundidade para designar a escala ou grau hipnótico atingido: ETAPA SIM NÃO Hipnoidal 95% 5% Leve 75% 25% Média 65% 35% Profunda 25% 75% Sonambúlica 10% 90% Para certo tipo de terapêutica, a sugestão direta ou benefício reparador da hipnose (como o sono), basta a etapa hipnoidal. A remoção de sintomas por bloqueio é desaconselhável pois ele sempre reverbera. Ex.: fez sugestão pós-hipnótica para que uma moça deixasse de chupar o dedo. Esta começou, então, a fumar. Sugestionou-se que largasse de fumar. Passou a beber. Sugestionou-se, novamente: viciou-se em tóxicos. Diante de nova sugestão a paciente suicidou-se. O que se pode é remover certo tipo de sintoma. (Ex. a hemérese gravídica), mas, depois, fazer terapêutica. Na fase leve, a hipnose é usada como tranqüilizante relaxante muscular. De fato se obtém relaxamento muscular obtém-se também tranqüilidade. Mas a hipnose precisaria ser reforçada sempre, pois, se existe intranqüilidade, há uma dinâmica por detrás, que seria resolvida pela psicoterapia. De qualquer forma, a hipnose é sempre valiosa: ou como anestésico ou como introdução à psicoterapia, ou como quebra da resistência. Mas, na hipnose a ética não permite que se sugestione o paciente a fazer psicoterapia. Ele a fará se sua resistência estiver quebrada! Mas vai dele a decisão. Nas psicoterapias a hipnose é auxiliar de alguns fenômenos: a hipermnésia e a discutida regressão de idade. A hipnoanálise trabalha com o que chamamos signo–sinal que é um sinal através do qual o sujeito entra imediatamente em hipnose. Quando conseguimos hipnose profunda, fornecemos uma palavra chave com a qual, em vigília, o paciente entrará em hipnose. Isso mostra a grande responsabilidade ética do terapeuta Bernstein era um comerciante que, como divertimento, em casa de amigos utilizava a hipnose. Hipnotizando uma moça, esta, espontaneamente, começou a regredir. Bernstein incentivou, e quando chegou a idade zero a moça voltou para 1875, dizendo chamar-se Bridey Murphey. Contou que morava na Irlanda, de onde descreveu pessoas e uma igreja de lá. Muito impressionado Bernstein publicou livros e fez um verdadeiro comércio do fato. Jornalistas começaram a investigar e encontraram a igreja descrita na Irlanda. Mas não se lembraram de perguntar quando tinha sido construída. Mas os cientistas se lembraram, e verificaram que havia sido construída em 1891. Averiguou-se que a moça tinha tido uma ama irlandesa, que lhe descrevera a igreja. Era uma hipermnésia que se verificara e a moça fantasiara uma regressão de idade, a qual, se existe mesmo, ficará para investigações futuras.

7-POR QUE FREUD ABANDONOU A HIPNOSE? Freud, que trabalhava com Charcot se incumbiu de promover o segundo enterro da hipnose. Não se sabe bem o por quê. Freud passou a trabalhar com Breuer e junto dele fez várias experiências, inclusive o caso de Ana O. Freud teria achado que a hipnose não era suficiente e que se a pessoa podia ter uma ab-reação, esta poderia ser provocada em estado consciente, o que seria muito melhor. As catarses mais profundas não se movimentam sob hipnose, mas podem se movimentar sob livre associação, dizia ele. Assim Freud criou a psicanálise e sepultou a hipnose, como método psicoterápico ou via de administração. Vamos estudar um pouco mais e ver o histórico de Freud na hipnose. Depois de concluir o curso de Medicina, Freud conclui que nada de novo poderia aprender em uma Universidade Alemã, depois de haver usufruído o ensino direto e indireto, em Viena, dos Professores Theador Meynert (1841-1905). Candidatou-se ao prêmio da Bolsa de Estudo do Fundo do Jubileu Universitário, referente ao ano 1885-1886, e foi selecionado para continuar seus estudos de Neuropatologia no Hospice de la Salpêtriére, em Paris. A Escola Francesa de Neuropatologia, dirigida na ocasião pelo Professor Jean Martin Charcot (1895-1893).Despertava o interesse e a curiosidade científica do jovem médico recém diplomado, novo ar do saber médico. No Salpêtriére, o trabalho de Freud fugiu do seu planejamento inicial, que era o estudo das doenças anatômicas, tinha escolhido o estudo da atrofia e degenerações secundárias que se seguem às afecções do cérebro em crianças. Freud viu um laboratório sem condições de trabalho para um pesquisador, devido a falta de recursos e qualquer organização. Freud desistiu do estudo de anatomia e teve que se contentar com o estudo dos núcleos da coluna posterior da medula oblongata. Abandonando o laboratório foi Freud trabalhar na Clínica, que apresentava, em contraste com o laboratório anatômico, um material novo e abundante, sob a batuta do Professor J.Martin Charcot. Nesta ocasião não perdi a oportunidade, dizia Freud em seu relatório, de adquirir um conhecimento pessoal dos fenômenos do hipnotismo, que são surpreendentes e aos quais se dá tão pouco crédito, e em especial, ao grande hipnotismo descrito por Charcot. Com surpresa, verifiquei que nessa área determinadas coisas aconteciam abertamente diante de nossos olhos e que era quase impossível duvidar deles, assim mesmo, eram tão estranhos que não se podia acreditar neles, e menos que delas se tivesse uma experiência pessoal. Charcot considerava o hipnotismo uma área de fenômenos que eles submetia à descrição científica, tal como fizera, muitos anos antes, com a esclerose múltipla e com a atrofia muscular. Seguramente esse entusiasmo inicial de Freud pela Hipnose, que buscava conhecimentos de Neurologia, foi o marco inicial, para a criação da Psicanálise. Para Charcot, o interesse pela hipnose era inseparável do método anátomo-clínico, da identificação das alterações anatômicas passíveis de explicar ás doenças nervosas. Era uma perspectiva mais experimental do que terapêutica. Freqüentemente, eram necessários anos de espera paciente antes que nessas afecções crônicas que não levam diretamente à morte, chegasse a prova da alteração orgânica, e somente um asilo com Salpêtriére podia permitir o acompanhamento e manutenção dos pacientes por períodos tão longos. A primeira demonstração de esse gênero as ser feita por Charcot, aliás, ocorreu antes que ele dispusesse de um serviço. Para Charcot e seus alunos, do fenômeno só devem ser preservadas suas dimensões somáticas. Ao contrário, a Escola rival, a de Bernheim, em Nancy, usava a sugestão como “uma ideia concebida pelo operador ou hipnólogo, captada pelo hipnotizado e aceita por seu cérebro”. Quanto a Bernheim, ele fora aluno daquele que se pretendia não um médico, mas um curandeiro: Liébeault. Sobre a estada de Freud em Paris, muito já se disse, mas existe a possibilidade, que se o destino do jovem médico fosse Nancy, e não Paris, talvez a história fosse outra, e Freud não se achasse um mau hipnotizador e não a abandonasse. Pelo menos a forma convencional de hipnose que se praticava à época, mas, dentro da conceituação Ericksoniana moderna de hipnose, que leva em consideração uma forma bem indireta de transe hipnótico, é possível que Freud nunca tivesse abandonado totalmente a hipnose. Freud não adotou o método hipnótico já em seu retorno a Viena, e não conseguiu fazer com que seus colegas aceitassem às conclusões de Charcot a propósito da histeria. Por outro lado, quando em 1887, tornou-se “praticante” da hipnose, não foi do método catártico que ele se valeu inicialmente, mas da sugestão hipnótica, a maneira de Bernheim. Em 1890, num artigo dedicado “a sugestão hipnótica, Freud sublinhou que” a hipnose confere ao médico uma autoridade de tal ordem que é provável que nenhum padre ou tramaturgo jamais a tenha possuído, pelo fato de ela concentrar todo o interesse psíquico do hipnotizado na pessoa do médico “. E não hesitou em recomendar a todos os médicos de família, essa forma de terapia, que deveria ser situada no mesmo plano dos demais procedimentos terapêuticos e não ser considerada um recurso último”. A sugestão era aplicada aos sintomas que poderia ser assemelhada a uma “substância”, como tal destacável de um e “aplicável” ao outro, implicava que sua verdade coincidisse com a maneira como era posta em cena, como puro instrumento de ação, como relação de forças unilateral que “imprimia” uma “ideia-substância” estranha no cérebro do paciente. Essa representação abstraía aquilo que levava o paciente a obedecer ou, ao contrário, a resistir às ordens. Tal observação não constitui uma crítica em si. Antes, põe em evidência a originalidade da orientação freudiana: O cuidado com aquilo que uma técnica implica e pressupõe. Freud descreveu a sugestão como um técnico, no sentido de a utilização de um instrumento compromete aquele que a utiliza, situa-o em relação àquilo sobre que ele age. A sugestão, portanto, não levantava problemas como tal, e cabia-nos menos compreender seus efeitos do que aprender em que medida esses efeitos faziam dela um instrumento terapêutico eficaz. Foi também como técnico que Freud criticou, nesse mesmo artigo, a sugestão. A onipotência que ela parecia conferir ao hipnotizador era meramente ilusória: “Renunciei em pouco tempo à técnica da sugestão e, com ela, à hipnose, pois perdi a esperança de tornar os efeitos da sugestão suficientemente eficazes e duradouros para levar a uma cura definitiva… Em todos os casos graves, via a sugestão que lhes fora aplicada reduzir-se a zero, e ressurgir o mesmo problema ou algum outro”. Para responder a esta pergunta, cabe distinguir às razões pela quais Freud abandonou a sugestão hipnótica direta, das razões por que abandonou a hipnose propriamente dita, ou seja, evitar a confusão entre hipnose e sugestão, que ele mesmo estimulou. Essa é uma questão importante, já que, em 1893, foi a eficácia do processo hipnótico, e não da sugestão, que funcionou como prova de nova ordem de causalidade psíquica que Freud se empenhou em instituir. Certamente podemos invocar, em primeiro lugar, o motivo aparentemente racional e técnico proposto por Freud: “Quando constatei que, apesar de todos os meus esforços, só conseguia colocar em estado de hipnose uma pequena parcela de meus doentes, decidi abandonar esse método”. Também podemos formular explicações hipotéticas de ordem social e profissional. O próprio Freud falaria mais tarde, da satisfação que tirava de sua técnica: “O trabalho com a hipnose exercia um efeito real de sedução. Tínhamos superado, pela primeira vez, o sentido de nossa própria impotência, a reputação de taumaturgo era muito lisonjeira”. Em seus “Estudos sobre histeria”, Cecilie que era a baronesa Anna von Lieben, uma das mulheres mais ricas de Viena, e Freud a teria tratado desde 1888 até 1893, chegando a vê-la duas vezes por dia. Uma de suas pacientes, ao despertar do estado de hipnose, passou-lhe os braços em volta do pescoço, através do processo que foi denominado de transferência. Vejamos o que Freud falou do incidente: “Mantive a cabeça fria, para não atribuir a esse incidente a um encanto pessoal irresistível, e julguei ter captado a natureza do elemento misterioso, que estava em ação por trás da hipnose. Para colocá-lo fora do circuito, ou, pelo menos, para isolá-lo, era preciso abandonar a hipnose”. Posteriormente Freud desenvolveu o método da pressão e depois a Associação Livre. O conjunto dos elementos que haviam norteado Freud até então mudou de sentido. Com a noção de verdade, foi também a de cura que teve de ser modificada. Primeiro por ser perigosa, já que suscitava uma transferência afetiva descontrolada para a pessoa do analista. E segundo, porque a própria significação da cena terapêutica e da rememoração se havia modificado: “uma lembrança, por mais antiga e por mais carregada de afeto que fosse, podia ser uma” mentira “. A análise já não podia ter como finalidade reavivar a lembrança de um acontecimento real, a fim de esvaziá-la de sua carga afetiva, mas levar a uma conscientização dos conflitos psíquicos que explicavam, sobretudo, a possibilidade dessas lembranças. A lembrança era apenas o caminho para uma verdade cuja produção não podia efetuar, uma verdade que somente a análise dos conflitos psíquicos que investissem a cena analítica, tal como investiam toda a vida do paciente, poderia advir”. No final da sua vida Freud falou da possibilidade de juntar o ouro da psicanálise ao bronze da sugestão hipnótica. O transe sonambúlico, que provocava amnésia, e a vontade crescente do descobrimento dos caminhos do inconsciente fizeram Freud abandonar a hipnose e partir para a Livre Associação.

8-A IMPORTÂNCIA DO “RAPPORT” PARA A HIPNOSE? O primeiro contato entre o hipnotizador e candidato é conhecido como “Rapport” ou “Empatia”. Existem diversas maneiras de se conduzir a Rapport, como por exemplo: a)Pedir ao paciente para fechar a mão, e relaxar em seguida, mostrando de modo simples e prático, o bem estar de um relaxamento. b)Explicar que o fechamento dos olhos facilita o relaxamento e que o indutor irá relacionando a diversas partes do corpo a serem relaxadas, sucessivamente, de maneira sempre bastante agradável. Na realidade a hipnose é um processo de autossugestão, pois não há hipnose sem a permissão, interação e confiança da pessoa a ser hipnotizada com o hipnotizador. Após a permissão, a pessoa conscientemente se deixa levar pelas instruções do hipnotizador. O hipnotizador age na consciência do hipnotizado, dá ordens e a pessoa segue, mas sempre de acordo com seus desejos e vontades. Assim, é um mito quando se diz que a pessoa hipnotizada aceita tudo inconscientemente e que o hipnotizador tem poder sobre ela. Mesmo no Estado Alfa mais profundo, permanece o que chamamos Censor Crítico ou Ponto Vigil.

9-OS OUTROS FENÔMENOS HIPNÓTICOS. Os fenômenos hipnóticos são: “rapport”, catalepsia, amnésia, anestesia, analgesia, regressão, progressão, alucinações positivas, alucinações negativas. Há uma série de teorias para explicá-la, mas a mais interessante é a eclética, que considera a hipnose como um fenômeno neurofisiológico e dinâmico. Fenômeno neurofisiológico, sem dúvida é, já que a hipnose é um estado de diminuição da atividade cortical, passível de ser induzido em qualquer pessoa mediante estimulação de tipo neurofisiológica. É também dinâmico, pois durante a hipnose o psiquismo se manifesta. Se o fenômeno dinâmico não se verifica, o neurofisiológico também não. Por exemplo: indivíduo ansioso dificilmente coloca alguém em hipnose, e de outro lado se um fenômeno de transferência negativa se verifica o indivíduo não aceita determinado operador. A técnica neurofisiológica é a pavloviana, pura reflexologia. Assim, a estimulação de um determinado centro provoca uma onda de defesa por parte do cérebro. De fato, se assim não fosse, com os estímulos que bombardeiam cérebro constantemente estaríamos em estado perene de violenta excitação. Diante do estímulo rítmico, monótono e persistente, ou através de um choque violento (hipnoestimulação), o cérebro abafa a estimulação. Apaga uma célula, logo outra, até o sono hipnótico. No caso do choque ser violento, o cérebro para, simplesmente. A hipnose pode ser induzida através de estímulos tácteis, auditivos, visuais e olfativos. Várias teorias foram e são apresentadas, mas nenhuma foi considerada exata, ou totalmente aceita. E se entende a razão, estamos tentando definir um fenômeno do cérebro, este órgão sobre o qual conhecemos tão pouco e do qual utilizamos somente uma parte mínima. Mas sabemos como utilizar esta energia e como fazer para acessar. Existem variadas técnicas para se alterar o estado normal da consciência e obter-se o nível ideal de transe. A mais utilizada é o relaxamento profundo e a concentração da mente. Muitos se assustam com certos termos empregados como “transe”, “concentração”, mas quem está sempre no comando é o próprio indivíduo. Ninguém, por melhor que seja, consegue hipnotizar quem não deseja ou não se permite ser hipnotizado. Na verdade, o hipnotizador apenas orienta o trabalho que é realizado pela própria pessoa. A hipnose, nada mais é do que um estado de consentimento. E aí, entramos num outro ponto de dúvida, para muitas pessoas – quem pode ser hipnotizado? Qualquer um, que realmente o quiser. A convicção de que aquilo vai lhe fazer bem, tem um papel importante no resultado da terapia. E a experiência e preparo do hipnoterapeuta ajudarão na aplicação da técnica mais adequada para atingir os estados ideais, dependendo do tipo de personalidade de cada paciente, bem como a análise do momento que está atravessando e seu estado emocional. Utiliza-se a hipnose na medicina, para aliviar dores, curar doenças de fundo emocional, atenuar efeitos colaterais de medicamentos ou tratamentos, e até como anestésico, em alguns casos, de pacientes que, por alguma razão, não podem utilizar anestesia. Em tratamentos odontológicos, tem- se mostrado muito eficaz, relaxando, tirando a tensão e, em muitas vezes, abolindo a necessidade de anestesias. Para estudantes, é excelente na memorização de conteúdos, aumento da capacidade de concentração e alívio do nervosismo na hora de provas. Em casos de distúrbios psicológicos como fobias, pânico, depressão, manias, compulsões (inclusive por comida), traumas, as respostas são surpreendentes. Auxilia muito em períodos de transição como menopausa, maternidade, adolescência, separações, enfim, mudanças de vida. Está sendo usada cada vez mais para casos de vícios, sejam eles por drogas, fumo, jogo, comida, bebida ou qualquer outro.

10-O QUE É TERAPIA MENTE-CORPO? A medicina mente-corpo inclui uma variedade de tratamento e abordagens, indo da meditação e da prática do relaxamento ou hipnose até grupos de apoio social, que buscam incluir a mente no desenvolvimento do bem estar emocional e da saúde física. Hoje, um número cada vez maior de pesquisas apoia a utilização dessas técnicas. No entanto, essas práticas, ainda vêm sendo utilizadas por apenas uma parte das pessoas que poderiam se beneficiar delas.

10.1-POR QUÊ O CORPO SOFRE? Sob estresse crônico, as pessoas liberam mais os hormônios adrenalina e noradrenalina, o que desencadeia uma revolução hormonal que afetará todo o organismo. Estas substâncias também contraem os vasos sanguíneos, diminuindo a passagem do sangue e causando mudanças que dependerão da vulnerabilidade de cada órgão. Exemplo: a)Há redução do nível de serotonina, substância envolvida em vários processos cerebrais. As alterações podem levar a depressão, ansiedade e distúrbios alimentares. b)É liberado o hormônio aldosterona, que elevará a pressão arterial, facilita a dor no peito e a falta de ar. Como já há um estreitamento dos vasos sanguíneos pode ocorrer um infarto. c)Há redução no nível do fluxo de células de defesa do organismo, pela diminuição da produção de linfócitos “T” e “B”, favorecendo a manifestação de doenças infecciosas como gripe, herpes, pneumonia, etc… d)Ocorre uma maior secreção de ácido clorídrico na região do estômago, que leva a uma gastrite e posteriormente a uma úlcera digestiva. e)Como a pessoa tensa tende a contrair a musculatura, podem ser desencadeadas dores musculares e cefaleias. f)O cortisol, hormônio produzido pelas supra-renais, faz subir o nível da glicose, elevando o risco de diabetes em quem tem predisposição genética para a doença. O psicanalista pode ajudar o paciente estressado a identificar as causas desse desgaste emocional, com um planejamento de tratamento em que deve incluir exercícios de relaxamento ou auto hipnose.

10.2-QUAL A AÇÃO NEUROFISIOLÓGICA DA HIPNOSE EM UM ESTRESSADO? Quando a pessoa está tensa tende a contrair a musculatura. A técnica de relaxamento, hipnose ou auto hipnose age justamente no sentido inverso, relaxando a musculatura pela produção de serotoninas e endorfinas, produzindo tranquilidade, sensação de paz e harmonia. Serotoninas: Este é o principal neurotransmissor do “bem estar”. O outro neurotransmissor que também é importante para todas as funções do cérebro é a acetilcolina. A droga PROZAC funciona aumentando quimicamente a quantidade de serotonina disponível no cérebro. Os exercícios de auto-hipnose ou exercícios mente-corpo funcionam aumentando naturalmente, sem criar efeitos colaterais, comuns a qualquer fármaco, a quantidade de serotonina no cérebro. A grande popularidade desse remédio nos Estados Unidos nos mostra como a deficiência da serotonina é comum na população atual. A serotonina também ajuda a estimular o sono e a controlar a dor. Endorfinas: essas substâncias químicas cerebrais não são tecnicamente um neurotransmissor, mas seus efeitos são similares. As endorfinas são liberadas em resposta a praticamente qualquer tipo de estresse físico ou emocional. Muito comumente, alivia a dor e a ansiedade. A hipnose produz endorfinas, assim como a acupuntura; na medicina oriental, a acupuntura é usada com muita eficácia como um procedimento anestésico durante as cirurgias. Freud, usou a hipno acupuntura, onde os autores clássicos citam a digitopressão, isto nada mais é do que a combinação da hipnose com a acupuntura. Acetilcolina: esse é o neurotransmissor “cinco estrelas” da memória e do pensamento. Se você tem uma memória fraca, mas não é velho o suficiente para estar sofrendo de debilitação da memória associada à idade, há grandes chances de você estar com um simples déficit de acetilcolina. Outro sintoma de carência de acetilcolina é a incapacidade de se concentrar. Muitos milhões de pessoas poderiam melhorar imediatamente sua concentração apenas ingerindo quantidades apropriadas de nutrientes que favorecessem a produção de acetilcolina. Esses nutrientes são: a lecitina, as vitaminas B, vitaminas C e outros minerais. A Lecitina é a mais importante. A acetilcolina está concentrada no hipocampo, centro da memória do cérebro. Porém, a acetilcolina também ajuda a executar muitas funções fora do cérebro. Por exemplo, ela ajuda as células nervosas nos músculos a ativar a ação muscular. A acetilcolina é produzida nos neurônios através de um processo químico que requer oxigênio e colina (que é o principal ingrediente da lecitina). Os exercícios de Hipnose ou relaxamento parecem ser muito úteis para enviar o oxigênio e a glicose para o cérebro e desse modo, auxiliar a produção de acetilcolina.

11-O QUE É TREINAMENTO AUTÓGENO?

11.1-CONCEITO SEGUNDO J. H. SCHULTZ. Este método consiste em promover a modificação da personalidade de quem a pratica, através de determinados exercícios fisiológicos racionais. Por exemplo: Na circulação sanguínea, mediante diminuição da frequência e intensidade dos batimentos cardíacos, alteração da temperatura do corpo, para um corpo agradavelmente aquecido; em contraste com a temperatura do corpo, a temperatura da testa vai ficando confortavelmente fria.

11.2-O CURSO NORMAL DO PROCESSO DE TREINAMENTO AUTÓGENO. Trataremos do curso normal do processo. Por “normal” deve-se entender o desenvolvimento sem incidentes do processo de treinamento em indivíduos livres de manifestações patológicas. Também poderíamos falar em experiências com “pessoas normais”, porém, essa denominação nos obrigaria a entrar numa discussão sobre o conceito de normalidade, o desviaria demais do assunto. Os cursos ministrados por Schultz impunham como condição que os participantes fossem pessoas responsáveis e independentes. No início de cada turma, comunicava-se que se tratava de um método de treinamento, uma espécie de ginástica para o íntimo, mas de maneira alguma de um processo curativo. Solicitava-se que as candidatas mencionassem se sofriam de perturbações nervosas e de que tipo. E só se concedia a eles permissão para participar dos trabalhos de tais perturbações não existissem. Da mesma forma, exigia-se um nível médio de saúde física. O material humano se constituía de homens de classe média e alta, estáveis em suas profissões e interessados no próprio aproveitamento. No curso normal, instituímos os sujeitos para praticarem duas, no máximo três vezes por dia o exercício autógeno. Recomenda-se que o faça após as refeições do meio dia e a da noite, bem como antes de dormir. É importante insistir com os sujeitos, que os exercícios devem ser muito curtos, para evitar a interferência de tensões voluntárias capazes de anular a vivência de relaxação. O psicanalista ou o profissional que está fazendo a orientação deve recomendar que cada exercício tenha de 5 a 15 minutos de duração, mantendo a concentração apenas o necessário para que surja a experiência orgânico-eufórica de relaxação e tranquilidade. Os melhores resultados são obtidos com exercícios curtos, praticados com regularidade durante semanas, enquanto que um exercício tenso, longo demais num só dia é pouco eficaz. O estabelecimento de uma vivência de calor, primeiro local, depois generalizada, pode ser considerado, em vista dos fatos fisiológicos e psicológicos estabelecidos, como uma medida ativa de efeito tranquilizador, como o sono. O estabelecimento do treinamento autógeno sob um duplo aspecto, de um lado, é uma comutação de sistemas corporais, adquirida por exercícios, as mudanças de função por ele proporcionadas influem favoravelmente no estado geral. De outro lado, pode ser considerado uma inversão de lei de expressão, as funções que habitualmente se alteram pela influência de estímulos emocionais sofrem mudança por si mesmas, exercendo uma influência retroativa. Além dos músculos esqueléticos, e do sistema vascular, o coração é o órgão mais indicado para confirmar esta intra-relação.

11.3-A RESPIRAÇÃO São bastante conhecidas as profundas alterações da mudança voluntária da atividade respiratória, tanto na apneia forçada quanto no outro extremo, a hiperventilação. O treinamento respiratório deve ser anterior ao do coração.

11.4- EXERCÍCIOS PRÁTICOS -TÉCNICAS DO RELAXAMENTO PROGRESSIVO DE SHULTZ.

1- É necessário fazer a anamnese antes de iniciar: perguntas sobre doenças, operação, hábitos, Etc. Veja ficha no item seis. 2- É necessário que haja a empatia ou “Rapport”.

3-O ambiente deve ter luz indireta fraca, poucos ruídos. Não deve haver nada que possa dispersar a atenção. 4-Coloque uma música, preferencialmente de sons da natureza.

5-Utilize voz calma e monótona. 6-O paciente deve ficar deitado ou sentado em posição confortável, com os olhos fechados. Se quiser pode tirar seus sapatos, afrouxar cintos e roupas, mantendo-se porém aquecido, principalmente os pés. “A partir deste instante também pode ser realizado a auto-hipnose”

7- Sinta e visualize seu corpo, onde se encontra sentado confortavelmente, dos pontos de contato entre seu corpo ou a cadeira ou poltrona, os pontos de contato da cabeça, das costas, dos braços e das pernas…

8- Se concentre na sua respiração: à medida que inspira seu abdômen se eleva, e quando expira; o abdômen abaixa suavemente… de forma que a expiração seja um pouco mais longa que a inspiração, vamos lá… inspire… expire… novamente repita: inspire… expire…

9- ANCORA DE AUTO-HIPNOSE: Continue com o seu corpo todo relaxado, enquanto concentra sua atenção em sua mão direita…feche a mão, muito forte, tão forte o quanto possa…perceba o que sente quando os músculos da mão e antebraço estão tensos…concentre-se neste sentimento de tensão e mal estar que você está experimentando… 10- Abra a sua mão completamente e deixe-a cair sobre suas pernas de uma só vez…

11- Sinta e visualize como a tensão e o incômodo desapareceram de sua mão e antebraço. Sinta as sensações deste relaxamento…de prazer…paz…tranquilidade que você tem agora. Continue relaxando os músculos, agradavelmente…suavemente…

12- Todo o relaxamento vai se tornando mais agradável…, os músculos se tornem muito, muito relaxados… deixe-se levar……. continue concentrando-se nesses sentimentos e deixe que este músculos se soltem mais e mais… quando está relaxado seus músculos estão muito soltos, leves, muito longos, muito calmos… deixe que se soltem mais e mais…

13- Agora focalize sua atenção mais acima, no seu antebraço direito… à medida que concentra sua atenção nestes músculos vai deixando-os mais e mais leves, …relaxados… muito soltos… muito calmos… muito tranquilos…deixe-se levar mais e mais profundamente. Se notar que sua atenção divaga, volte a concentrá-la nesses músculos…deixe que estes músculos se tornem mais e mais longos, calmos, tranquilamente, suavemente… deixe-se levar pelo sentimento profundo de relaxamento, somente deixe-se levar…

14- Enquanto continua com todo seu braço, antebraço e mão direita profundamente relaxada, concentre-se agora em sua mão esquerda…

15- Sinta e visualize sua mão esquerda e concentre-se nos músculos da sua mão esquerda… pode vê-los… deixando-os soltos, mais e mais soltos… deixe que estes músculos se tornem muito relaxados, muito, muito leves, …calmos… muito tranquilos… deixe-se levar… continue concentrando-se nesses sentimentos e deixe que este músculos se soltem mais e mais… quando está relaxado seus músculos estão muito soltos, muito longos, muito leves… deixe que se soltem mais e mais…

16- Relaxe profundamente, calmamente, sentindo e relaxando naturalmente, agradavelmente…,focalize sua atenção mais acima, no seu antebraço esquerdo… à medida que concentra sua atenção nestes músculos vai deixando-os mais e mais relaxados… muito soltos… muito calmos… muito tranquilos…deixe-se levar mais e mais profundamente…se notar que sua atenção divaga, volte a concentrá-la nesses músculos…deixe que estes músculos se tornem mais e mais longos, calmos, tranquilamente, suavemente… se deixe levar pelo sentimento profundo de relaxamento, somente deixe-se levar…

17- Todo o relaxamento vai se tornando mais agradável…, se concentre agora nos seus braços…. todo o seu braço esquerdo e direito….sinta os músculos relaxar pode senti-los… deixando-os soltos, mais e mais soltos…deixe que estes músculos se tornem muito, muito relaxados: muito, muito calmos; muito tranquilos… deixe-se levar… continue concentrando-se nesses sentimentos e deixe que este músculos se soltem mais e mais… quando está relaxado seus músculos estão muito soltos, muito longos, muito calmos… deixe que se soltem mais e mais…suavemente… calmamente…

18- Relaxe profundamente, calmamente, sentindo e relaxando naturalmente, agradavelmente…, com calma…, tranquilidade…, concentre-se agora em seu rosto…. todo o seu rosto….sinta os músculos da face relaxar pode senti-los… deixando-os soltos, mais e mais soltos… deixe que estes músculos se tornem muito, muito relaxados: muito, muito calmos; muito tranquilos… deixe-se levar…calmamente… suavemente… continue concentrando-se nesses sentimentos e deixe que este músculos se soltem mais e mais… quando está relaxado seus músculos estão muito soltos, muito longos, muito calmos… deixe que se soltem mais e mais…usufruindo dessa sensação de leveza…

19- Relaxar…, sentir…, visualizar…,descontraindo e relaxando o seu pescoço e concentre-se nos músculos do pescoço… pode senti-los… deixando-os soltos, leves… mais e mais soltos… deixe que estes músculos se tornem muito, muito relaxados: muito, muito calmos; muito tranquilos… suavemente… calmamente…deixe-se levar… continue concentrando-se nesses sentimentos e deixe que este músculos do pescoço se soltem mais e mais… quando está relaxado seus músculos estão muito soltos, muito longos, muito calmos… deixe que se soltem… levemente… suavemente… mais e mais…

20- Relaxe profundamente, calmamente, sentindo, relaxando os seus braços….sua mão direita… esquerda… antebraços… seu rosto e pescoço…. calmamente… suavemente… relaxados… deixando-se levar por essa sensação de bem estar… de tranquilidade… deixem que soltem mais e mais… calmamente… tranquilamente… em paz….

21- Sinta e visualize os seus músculos dos seus braços.. mão direita e esquerda.. antebraço…rosto… pescoço relaxados suavemente… tranquilos… concentre-se agora em nos seus ombros… nos músculos dos seus ombros… deixe-se levar, sinta-os relaxar, pode senti-los… deixando-os soltos, mais e mais soltos…deixe que estes músculos se tornem muito, muito relaxados: muito, muito calmos; muito tranquilos… deixe-se levar…calmamente… suavemente… continue concentrando-se nesses sentimentos e deixe que este músculos dos seus ombros fiquem leves… relaxados… suavemente… que se soltem mais e mais… seus músculos dos ombros estão muito soltos, muito longos, muito calmos… leves…deixe que se soltem mais e mais…suavemente…deixe esta sensação chegar até as suas costas… suas costas ficam relaxadas… soltas….os músculos de suas costas…vão se soltando…. você pode sentir isso…tranquilamente…note como eles se soltam mais e mais…deixe-se levar por essa sensação de tranquilidade…calmamente… suavemente…levemente… em paz…

22- O relaxamento estende-se agora por todo os seus braços….sua mão direita… esquerda… antebraços… seu rosto… seu pescoço…. seus ombros…suas costas…..calmamente… suavemente… relaxados… deixando-se levar por essa sensação de bem estar… de tranquilidade.. deixem que soltem mais e mais…mais e mais… usufrua dessa sensação de tranquilidade… com todos esses músculos relaxados… leves.. soltos… calmamente… suavemente…levemente….em paz….

23- Enquanto continua com todo os seus braços.. mão direita e esquerda.. antebraço…rosto… pescoço… ombros.. costas… relaxados suavemente… tranquilos… calmamente … concentre-se agora em nos seu pé direito… nos músculos dos seu pé direito… focalize sua atenção em seus dedos, no pé direito…. e concentre-se nos músculos do seu pé direito… pode vê-los…pode senti-los… deixando-os soltos, mais e mais soltos… Deixe que estes músculos se tornem muito, muito relaxados: muito, muito calmos; muito tranquilos… deixe-se levar… continue concentrando-se nesses sentimentos e deixe que este músculos se soltem mais e mais… quando está relaxado seus músculos estão muito soltos, muito longos, muito calmos… deixe que se soltem mais e mais…deixe-se levar… calmamente… suavemente… leves… relaxados… note como eles se soltam… deixe-se levar por essa sensação de tranquilidade…paz…

24- O relaxamento estende-se agora por todo os seus braços….sua mão direita… esquerda… antebraços… seu rosto… seu pescoço…. seus ombros… suas costas… seus pé direito….sua perna direita…calmamente… suavemente… relaxados… deixando-se levar por essa sensação de bem estar… de tranquilidade.. deixem que soltem mais e mais…mais e mais… usufrua dessa sensação de tranquilidade… com todos esses músculos relaxados… leves.. soltos… calmamente… suavemente…

25- Sinta e visualize o seu pé esquerdo…e concentre-se nos músculos do pé esquerdo… perna esquerda…um por um dos seus dedos…. pode senti-los… deixando-os soltos, mais e mais soltos… Deixe que estes músculos se tornem muito, muito relaxados: muito, muito calmos; muito tranquilos… suavemente… calmamente…deixe-se levar…por esta sensação… continue concentrando-se nesses sentimentos e deixe que este músculos do pé esquerdo e da perna esquerda, todos os seus músculos se soltem mais e mais… seus músculos estão muito soltos…muito leves… muito longos, muito calmos… deixe que se soltem mais e mais… calmamente… suavemente…tranquilamente…

26- Relaxar…, sentir…, visualizar…,descontraindo e relaxando o seu pé esquerdo, sua perna esquerda fique leve… suavemente… tranquilamente….deixe-se levar, sinta-os relaxar, pode senti-los… deixando-os soltos, mais e mais soltos…deixe que estes músculos se tornem muito, muito relaxados: muito, muito calmos; muito tranquilos… deixe-se levar…calmamente… suavemente… continue concentrando-se nesses sentimentos e deixe que este músculos dos seus pés direito e esquerdo, das pernas esquerda e direita fiquem leves… relaxados… suavemente… que se soltem mais e mais… seus músculos dos pés e das pernas estão muito soltos, muito longos, muito calmos… leves…deixe que se soltem mais e mais…suavemente… tranquilamente…note como eles se soltam mais e mais…deixe-se levar por essa sensação de tranquilidade…calmamente… suavemente…

27- Relaxe profundamente, calmamente, sentindo e relaxando naturalmente, agradavelmente…,o relaxamento estende-se agora por todo os seus braços….sua mão direita… esquerda… antebraços… seu rosto… seu pescoço…. seus ombros… suas costas… seus pé direito… seu pé esquerdo….sua perna esquerda…sua perna direita….calmamente… suavemente… relaxados… deixando-se levar por essa sensação de bem estar… de tranquilidade.. deixem que soltem mais e mais…mais e mais… usufrua dessa sensação de tranquilidade… com todos esses músculos relaxados… leves.. soltos… calmamente… suavemente…

28- Sinta e visualize as suas coxas… primeiro a direita…. depois a esquerda…. concentre-se nos músculos da coxa direita…. sinta-os relaxar…. suavemente ….você pode sentir ela relaxando….a coxa direita…. pode senti-la… os seus músculos…deixando-os soltos, mais e mais soltos…deixe que estes músculos se tornem muito, muito relaxados: muito, muito calmos; muito tranquilos… suavemente… calmamente…deixe-se levar…por esta sensação… continue concentrando-se nesses sentimentos e deixe que este músculos da coxa direita, todos os seus músculos se soltem mais e mais… seus músculos estão muito soltos, muito longos, muito calmos… deixe que se soltem mais e mais… calmamente… suavemente…

29- Relaxar…, sentir…, visualizar…,descontraindo e relaxando suas coxa esquerda… concentre-se nos músculos da coxa esquerda…. sinta-os relaxar…. suavemente ….você pode sentir ela relaxando….a coxa esquerda…. pode senti-la… os seus músculos…deixando-os soltos, mais e mais soltos…deixe que estes músculos se tornem muito, muito relaxados: muito, muito calmos; muito tranquilos… suavemente… calmamente…deixe-se levar…por esta sensação… continue concentrando-se nesses sentimentos e deixe que este músculos da coxa esquerda, todos os seus músculos se relaxem…. sinta-os leves…calmamente….suavemente…. deixe-se invadir por esta sensação de leveza e tranqüilidade…..de paz….

30- Relaxe profundamente, calmamente, sentindo e relaxando naturalmente, agradavelmente…, já que você tem todo o braços, rosto, face, pescoço… ombros…. pés…pernas…coxas…. relaxados… deixe que a sensação de relaxamento chegue até seu abdômen, concentre-se nele… suavemente.. calmamente.. permita que ele relaxe….sinta os músculos de seu abdômen relaxando.. suavemente… deixa que estes músculos do abdômen se soltem mais e mais…eles estão ficando soltos… muito soltos… os músculos do seu abdômen estão muito soltos e calmos… leves… deixe que eles se soltem mais e mais… suavemente…calmamente… note como eles estão relaxados….soltos… usufrua dessa sensação….

31- O relaxamento agora se estende agora por todo os seus braços…mão direita… esquerda… antebraços…esquerdo e direito, rosto… pescoço…. seus ombros.. seus pés…suas pernas…suas coxas….. seu abdômen….calmamente… suavemente… relaxados… deixando-se levar por essa sensação de bem estar… de tranquilidade.. deixem que soltem mais e mais…mais e mais… usufrua dessa sensação de tranquilidade… com todos esses músculos relaxados… leves.. soltos… calmamente… suavemente…sinta esse relaxamento de todos esses músculos…tranquilamente…

32- Sinta e visualize o seu tórax e concentre-se nos músculos do tórax… pode senti-los… deixando-os soltos, mais e mais soltos…deixe que estes músculos se tornem muito, muito relaxados: muito, muito calmos; muito tranquilos… suavemente… calmamente…deixe-se levar… continue concentrando-se nesses sentimentos e deixe que este músculos do tórax se soltem mais e mais… quando está relaxado seus músculos estão muito soltos, muito longos, muito calmos… deixe que se soltem mais e mais…com suavidade… suavemente… calmamente… sinta a sensação de leveza de todos os seus músculos do tórax…tranquilamente….

33- Todo o relaxamento vai se tornando mais agradável…, todas as partes do corpo inclusive as que não foram mencionadas…, sentindo uma sensação de bem estar…, calma…, tranquilidade…,sem ansiedade, uma profunda sensação de bem estar…

34- Relaxe profundamente, calmamente, sentindo e relaxando naturalmente, agradavelmente…, você está completamente relaxado… todo o seu corpo…. seus braços.. seus pés… suas coxas….seu abdômen… seu tórax…. seus ombros…. suas costas…. seu pescoço.. seu rosto… todos os músculos do seu corpo relaxam agora…. tranquilamente.. suavemente… deixe-se levar por este sentimento de relaxamento… sinta-se aquecido… suavemente aquecido… seu pés aquecidos… mãos…. suavemente… tranquilamente… usufrua dessa sensação… numa temperatura que você gosta….um calor suave…deixe que este calor suave o invada.. que este sentimento o invada….. isto é um sinal de que seus músculos estão relaxando mais e mais…Note como estão relaxando mais e mais.. suavemente aquecidos… usufrua dessa sensação… suavemente… calmamente…tranquilamente…

35- Relaxar…, sentir…, visualizar…,descontraindo e relaxando, deixe todo o seu ser muito….muito relaxado…. muito, muito tranquilo….deixe seus pés… suas pernas…suas coxas…seu estômago… seu peito…. suas costas….seus ombros….. seus braços….seu pescoço…. seu rosto…. muito… muito….muito relaxado. Seus músculos estão muito, muito soltos…. muito tranquilos…deixe que sua respiração siga seu próprio ritmo monótono, tranquilo, deixe-se levar… deixe-se levar pelo estado profundo de relaxamento….

36- ( TREINAMENTO AUTÓGENO ) Ouça os batimentos cardíacos…. sinta a temperatura do seu corpo… agradavelmente aquecida….sua testa… agradavelmente fria…. uma agradável sensação de bem estar…paz… 37- Sinta que você está em um lugar muito tranquilo, calmo, …..

38- Todas as partes dos seu corpo estão agora relaxadas, muito relaxadas, aquecidas.. suavemente aquecidas…. deixe-se levar…deixe que sua respiração siga seu próprio ritmo, monótono, pesado, tranquilo. Deixe levar…mais e mais profundamente…. pelo relaxamento…usufrua essa sensação…. de paz… de serenidade….de tranquilidade… que pode ficar com você até depois que sair do relaxamento…

39- Agora vamos contar…. até “cinco”… calmamente…. tranquilamente…. e no seu tempo certo… você irá calmamente…. tranquilamente…. saindo do relaxamento….e saindo em paz… tranquilo.. sentindo mesmo depois de sair…uma sensação de calma….de tranquilidade…ficará com você, mesmo depois … tranquilidade….suavidade…serenidade e a paz….que sente agora ….. 40- Contamos “um” e você calmamente…irá saindo do relaxamento…começando a perceber os ruídos à sua volta…a ouvir os ruídos externos… suavemente…calmamente…tranquilamente…vai sentindo a sua mão… o seu antebraço….. no seu tempo certo… você vai percebendo suas mãos…. direita…. esquerda…. antebraço direito, esquerdo… suavemente….tranquilamente…

41- Contamos “dois”…. e você no seu tempo certo… calmamente….tranquilamente… vai sentindo de volta seus pés… suas pernas… suas coxas…. calmamente…. suavemente….tranquilamente…

42- Contamos “três”….. e tranquilamente, no seu devido tempo…. no seu tempo certo…. você calmamente.. sente seu tórax.. seu abdômen….. suas costas……tranquilamente… suavemente… no seu tempo certo você vai retornando…. saindo calmamente tranquilamente… do relaxamento….

43- Contamos “quatro” e suavemente… devagar…. no seu tempo devido… você suavemente… sente seu pescoço…. seu rosto…..seu corpo….seu corpo todo vai saindo calmamente… suavemente do relaxamento… no seu tempo certo…. suavemente….tranquilamente…

44- Contamos “cinco” e suavemente… tranquilamente… você começa a ouvir a perceber os ruídos externos…a seu ambiente….no seu tempo certo… calmamente…. você abrirá seus olhos…e sairá do relaxamento…. calmamente…. suavemente….tranquilamente… e em paz.

45- No seu tempo certo, se quiser… pode se espreguiçar … bocejar… abrir seus olhos…. e usufruir da sensação que agora ficou com você…de serenidade… de tranqüilidade…de paz….

12-VIÉIS E FRAGMENTOS DA HIPNOSE NAS OBRAS DE FREUD

Publicações pré-psicanalíticas e esboços inéditos hipnose, volume I (1886-99)- Seria um equívoco pensar que é muito fácil praticar a hipnose com fins terapêuticos. Depois, como hipnotizador experiente, haverá de abordar o assunto com toda a seriedade e firmeza que nascem da consciência de estar empreendendo algo útil e, a rigor, em algumas circunstâncias, necessário. Em geral, podemos partir da presunção de que qualquer pessoa é hipnotizável; porém, todo médico encontrará determinado número de pessoas que, dentro das condições de suas experiências, não conseguirá hipnotizar e, muitas vezes, será incapaz de dizer de onde se originou seu fracasso. Até os dias atuais, não se conseguiu relacionar a acessibilidade à hipnose com qualquer outro atributo de uma pessoa. O que se sabe de verdadeiro é que os portadores de doença mental e os degenerados, na sua maior parte, não são hipnotizáveis, e os neurastênicos somente o são com grande dificuldade. Não é verdade que os pacientes histéricos não se adaptem à hipnose. Em geral, evitaremos aplicar o tratamento hipnótico em sintomas que tenham origem orgânica. A melhor maneira de realizar a hipnose é colocar o paciente numa cadeira confortável, pedir que se mantenha cuidadosamente atento e que não fale mais, pois falar lhe impediria o adormecer. Remove-se-lhe qualquer roupa apertada e pede-se a quaisquer outras pessoas presentes que se mantenham numa parte da sala onde não possam ser vistas pelo paciente. Escurece-se a sala, mantém-se o silêncio. Após esses preparativos, sentamo-nos em frente ao paciente e pedimo-lhe que fixe os olhos em dois dedos da mão direita do médico e, ao mesmo tempo, observe atentamente as sensações que passará a sentir. Depois de curto espaço de tempo, um minuto, talvez, começamos a persuadir o paciente a sentir as sensações do adormecer. O verdadeiro valor terapêutico da hipnose está nas sugestões feitas durante a mesma. Essas sugestões consistem numa enérgica negação dos males de que o paciente se queixou, ou num asseguramento de que ele pode fazer algo, ou numa ordem para que o execute. Tudo que se tem dito e escrito a respeito dos grandes perigos da hipnose pertence ao reino da fantasia. Se colocarmos de lado o mau uso da hipnose com fins ilegítimos — possibilidade esta que existe em todos os outros métodos terapêuticos eficazes. (4)Estados de hipnóides – Estudos sobre a histeria Josef Breuer e Sigmund Freud volume II. (1893-1895)- A base da histeria é a existência de estados hipnóides. Moebius já dissera exatamente a mesma coisa em 1890. “A condição necessária para a atuação (patogênica) das ideias é, por um lado, uma predisposição inata — isto é, uma disposição histérica — e, por outro, um peculiar estado mental. Podemos apenas formar uma ideia imprecisa desse estado mental. Deve assemelhar-se a um estado de hipnose; deve corresponder a alguma espécie de vazio da consciência em que uma ideia emergente não depara com qualquer resistência por parte de outra — no qual, por assim dizer, o campo está livre para a primeira ideia que vier. Sabemos que esse tipo de estado pode ser acarretado não somente pelo hipnotismo, como também pelo choque emocional (susto, cólera, etc.) e por fatores que esgotam as forças (privação do sono, fome, etc.)” Moebius, 1894, 17|. Os fenômenos assim surgidos só emergem na consciência lúcida quando a divisão da mente, que examinarei depois, já foi concluída, e quando a alternância entre os estados de vigília e hipnose foi substituída por uma coexistência entre os complexos representativos normais e os hipnóides. Charcot – Primeiras publicações psicanalíticas volume II (1893-1899)- Não era Charcot um homem dado a reflexões excessivas, um pensador: tinha, antes, a natureza de um artista — era, como ele mesmo dizia, um “visual”, um homem que vê. Eis o que nos falou sobre seu método de trabalho. Costumava olhar repetidamente as coisas que não compreendia, para aprofundar sua impressão delas dia-a-dia, até que subitamente a compreensão raiava nele. O interesse de Charcot pelos fenômenos hipnóticos nos pacientes histéricos levou a enormes avanços nessa importante área de fatos até então negligenciados e desprezados, pois o peso de seu nome pôs fim de uma vez por todas a qualquer dúvida sobre a realidade das manifestações hipnóticas. Mas a abordagem exclusivamente nosográfica adotada na escola do Salpêtrière não foi suficiente para um assunto puramente psicológico. A limitação do estudo da hipnose aos pacientes histéricos, a diferenciação entre grande e pequeno hipnotismo, a hipótese sobre os três estágios da “grande hipnose” e a caracterização desses estágios por fenômenos somáticos — tudo isso declinou no conceito dos contemporâneos de Charcot, quando Bernheim, discípulo de Liébeault, passou a elaborar a teoria do hipnotismo a partir de fundamentos psicológicos mais abrangentes e a fazer da sugestão o ponto central da hipnose. Os opositores do hipnotismo, satisfeitos em poder ocultar sua falta de experiência pessoal por trás de um apelo à autoridade, são os únicos que ainda se prendem às asserções de Charcot e gostam de tirar proveito de uma declaração feita por ele em seus últimos anos, na qual negava à hipnose qualquer valor como método terapêutico. O método psicanalítico de Freud, três ensaios sobre a teoria da sexualidade e outros trabalhos volume VII (1901-1905)- O singular método psicoterápico que Freud pratica e designa de psicanálise é proveniente do chamado procedimento catártico, sobre o qual ele forneceu as devidas informações nos Estudos sobre a Histeria, de 1895, escritos em colaboração com Joseph Breuer. A terapia catártica foi uma descoberta de Breuer, que, cerca de dez anos antes, curara com sua ajuda uma paciente histérica e obtivera, nesse processo, uma compreensão da patogênese de seus sintomas. Graças a uma sugestão pessoal de Breuer, Freud retomou o procedimento e o pôs à prova num número maior de enfermos. O procedimento catártico pressupunha que o paciente fosse hipnotizável e se baseava na ampliação da consciência que ocorre na hipnose. Tinha por alvo a eliminação dos sintomas patológicos e chegava a isso levando o paciente a retroceder ao estado psíquico em que o sintoma surgira pela primeira vez. Feito isso, emergiam no doente hipnotizado lembranças, pensamentos e impulsos até então excluídos de sua consciência; e mal ele comunicava ao médico esses seus processos anímicos, em meio a intensas expressões afetivas, o sintoma era superado e se impedia seu retorno. Os dois autores, em seu trabalho conjunto, explicaram essa experiência regularmente repetida, afirmando que o sintoma toma o lugar de processos psíquicos suprimidos que não chegam à consciência, ou seja, que ele representa uma transformação (“conversão”) de tais processos. A eficácia terapêutica de seu procedimento foi explicada em função da descarga do afeto, até ali como que “estrangulado”, preso às ações anímicas suprimidas (“ab-reação”). Mas esse esquema simples da intervenção terapêutica complicava-se em quase todos os casos, pois viu-se que participavam da gênese do sintoma, não uma única impressão (“traumática”), porém, na maioria dos casos, uma série delas, difícil de abarcar. Assim, a principal característica do método catártico, em contraste com todos os outros procedimentos da psicoterapia, reside em que, nele, a eficácia terapêutica não se transfere para uma proibição médica veiculada por sugestão. Espera-se, antes, que os sintomas desapareçam por si, tão logo a intervenção, baseada em certas premissas sobre o mecanismo psíquico, tenha êxito em fazer com que os processos anímicos passem para um curso diferente do que até então desembocava na formação do sintoma. As alterações que Freud introduziu no método catártico de Breuer foram, a princípio, mudanças da técnica; estas, porém, levaram a novos resultados e, em seguida, exigiram uma concepção diferente do trabalho terapêutico, embora não contraditória à anterior. O método catártico já havia renunciado à sugestão, e Freud deu o passo seguinte, abandonando também a hipnose. Atualmente, trata seus enfermos da seguinte maneira: sem exercer nenhum outro tipo de influência, convida-os a se deitarem de costas num sofá, comodamente, enquanto ele próprio senta-se numa cadeira por trás deles, fora de seu campo visual. Tampouco exige que fechem os olhos e evita qualquer contato, bem como qualquer outro procedimento que possa fazer lembrar a hipnose. Assim a sessão prossegue como uma conversa entre duas pessoas igualmente despertas, uma das quais é poupada de qualquer esforço muscular e de qualquer impressão sensorial passível de distraí-la e de perturbar-lhe a concentração da atenção em sua própria atividade anímica. Como a hipnotizabilidade, por mais habilidoso que seja o médico, reside sabidamente no arbítrio do paciente, e como um grande número de pessoas neuróticas não pode ser colocado em estado de hipnose através de procedimento algum, ficou assegurada, através da renúncia à hipnose, a aplicabilidade do método a um número irrestrito de enfermos. Por outro lado, perdeu-se a ampliação da consciência que proporcionava ao médico justamente o material psíquico de lembranças e representações com a ajuda do qual se podia realizar a transformação dos sintomas e a liberação dos afetos. Caso não fosse encontrado nenhum substituto para essa perda, seria impossível falar em alguma influência terapêutica. Freud encontrou um substituto dessa ordem, plenamente satisfatório, nas associações dos enfermos, ou seja, nos pensamentos involuntários — quase sempre sentidos como perturbadores e por isso comumente postos de lado — que costumam cruzar a trama da exposição intencional. Para apoderar-se dessas ideias incidentes, ele exorta os pacientes a se deixarem levar em suas comunicações, “mais ou menos como se faz numa conversa a esmo, passando de um assunto a outro”. Antes de exortá-los a um relato pormenorizado de sua história clínica, ele os instiga a dizerem tudo o que lhes passar pela cabeça, mesmo o que julgarem sem importância, ou irrelevante, ou disparatado. Ao contrário, pede com especial insistência que não excluam de suas comunicações nenhum pensamento ou ideia pelo fato de serem embaraçosos ou penosos. No empenho de compilar esse material costumeiramente desdenhado, Freud fez as observações que se tornaram decisivas para toda a sua concepção. Já no relato da história clínica surgem lacunas na memória do doente, ou seja, esquecem-se acontecimentos reais, confundem-se as relações de tempo ou se rompem as conexões causais, daí resultando efeitos incompreensíveis. Não há nenhuma história clínica de neurose sem algum tipo de amnésia. Quando o paciente é instado a preencher essas lacunas de sua memória através de um trabalho redobrado de atenção, verifica-se que as ideias que lhe ocorrem a esse respeito são repelidas por ele com todos os recursos da crítica, até que ele sente um franco mal-estar quando a lembrança realmente se instala. Dessa experiência Freud concluiu que as amnésias são o resultado de um processo ao qual ele chama recalcamento e cuja motivação é identificada no sentido de desprazer. As forças psíquicas que deram origem a esse recalcamento estariam, segundo ele, na resistência que se opõe à restauração [das lembranças]. O fator da resistência tornou-se um dos fundamentos de sua teoria. Quanto às ideias postas de lado sob toda sorte de pretextos (como as enumeradas na fórmula acima), Freud as encara como derivados das formações psíquicas recalcadas (pensamentos e moções), como deturpações delas provocadas pela resistência a sua reprodução. Quanto maior a resistência, mais profusa é essa distorção. O valor das ideias inintencionais para a técnica terapêutica reside nessa relação delas com o material psíquico recalcado. Quando se dispõe de um procedimento que permite avançar das associações até o recalcado, das distorções até o distorcido, pode-se também tornar acessível à consciência o que era antes inconsciente na vida anímica, mesmo sem a hipnose. Com base nisso, Freud desenvolveu uma arte de interpretação à qual compete a tarefa, por assim dizer, de extrair do minério bruto das associações inintencionais o metal puro dos pensamentos recalcados. São objeto desse trabalho interpretativo não apenas as ideias que ocorrem ao doente, mas também seus sonhos, que abrem a via de acesso mais direta para o conhecimento do inconsciente, suas ações inintencionais e desprovidas de planos (atos sintomáticos), e os erros que ele comete na vida cotidiana (lapsos da fala, equívocos na ação etc.). Os detalhes dessa técnica de interpretação ou tradução, segundo suas indicações, trata-se de uma série de regras empiricamente adquiridas para construir o material inconsciente a partir das ocorrências de ideias, de instituições sobre como é preciso entender a situação em que deixam de ocorrer ideias ao paciente, e de experiências sobre as resistências típicas mais importantes que surgem no decorrer desses tratamentos. Um volumoso livro sobre A Interpretação dos Sonhos, publicado por Freud em 1900, deve ser visto como o precursor de tal introdução à técnica. Dessas indicações sobre a técnica do método psicanalítico poder-se-ia concluir que seu inventor deu-se um trabalho desnecessário e fez mal em abandonar o procedimento hipnótico, menos complicado. De um lado, porém, a técnica da psicanálise, uma vez aprendida, é muito mais fácil de praticar do que indicaria qualquer descrição dela, e de outro, nenhum caminho alternativo leva à meta desejada, donde o caminho trabalhoso é ainda o mais curto. A hipnose é censurável por ocultar a resistência e por ter assim impedido ao médico o conhecimento do jogo das forças psíquicas. E não elimina a resistência; apenas a evade, com o que fornece tão-somente dados incompletos e resultados passageiros.

13-BIBLIOGRAFIA FREUD, SIGMUND Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Imago, RJ. 1986

DA SILVA, Dr. GELSON CRESPO Manual de Hipnose Médica. ISBN Spob RJ. 2000

DA SILVA, Dr. HEITOR ANTONIO Fund. da Técnica Psicanalítica. ISBN Spob RJ.2000

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