Hipnose e modificação comportamental

A HipnosesDecember 11th, 2009 Sociedad de Hipnosis Profesional

Autor: Alberto Bermejo Mercader. Tradução: Dias Morais

Resumo: A Psicologia mostra cada vez mais interesse pela sugestão hipnótica. O uso da Hipnose aproveitou o desenvolvimento de teorias e técnicas Cognitivo-Comportamentais. Wolpe faz uso da Hipnose e utiliza-a para obter respostas de diminuição da ansiedade e também se aplica na dessensibilização sistemática. O Treino Autógeno de Schultz baseia-se na experiência prévia do uso da Hipnose e da sugestão. Em 1965 Krasner e Ullman, comprovam definitivamente que a Hipnose é uma técnica eficaz na modificação dos comportamentos disruptivos.

Palavras-Chave: Hipnose, Modificação do Comportamento, Terapia Cognitivo-Comportamental, Sugestão.

Abstract

Psychology has shown great interest in the suggestion and hypnosis field. The use of hypnosis has derived in the development of theories and techniques, which are today used by cognitive-behavioral psychologists. As a good example, Wolpe make use of hypnosis and uses it as a mean to obtain incompatible response against anxiety in the application of Systematic Desensitization (SD). Schultz’s autogenous training is based on the authors previous experience in the hypnosis and suggestion field. Finally, the attention to the study of hypnosis as a behavior modification technique is compiled by Krasner and Ullmann (1965).

Keywords: Hypnosis, behavior modification, cognitive-behavioral therapy, suggestion.

Introdução:

O tratamento pouco sério que os meios de comunicação fazem da Hipnose, sugerindo que se trata de magia ou de pseudomística sem escrúpulos, dão da Hipnose uma imagem enganadora e obscurantista, que prejudica o desenvolvimento de um processo terapêutico com um lugar proeminente entre as ténicas utilizáveis para melhorar a saúde mental dos indivíduos. A Hipnose é uma das técnicas mais antigas que se conhecem e que provoca melhorias nos processos cognitivos, psicofisiológicos, das percepções e do comportamento. Socorrendo-nos dos nossos conhecimentos antropológicos verificamos que, em todas as culturas, os médicos, sacerdotes, curandeiros e Xamanes utilizaram a sugestão para potenciar a eficácia dos tratamentos e das beberagens que ministram ou de outros procedimentos físicos e psicológicos de intervenção. Estas sugestões consistiam em ideias, que comunicadas da forma adequada aos pacientes, criavam-lhes expectativas de melhoras e potenciavam o tratamento. Eram usadas palavras, gestos, sinais e outros meios de comunicação que explícita ou implicitamente assinalavam: “Estes procedimentos, (drogas, poções, unguentos, ervas, etc.) têm propriedades curativas muito potentes. Não receies a tua doença, não morrerás; a tua saúde voltará, isto vai ajudar-te, toma-o”. Na nossa cultura ocidental a “sugestão hipnótica” foi usada por Franz Anton Mesmer, a que se seguiram muitos outros investigadores e clínicos que foram implementando as bases científicas da actual Hipnose Clínica e Experimental. Uma das definições mais aceites pela comunidade científica é a da” British Medical Association”, que em 1955 definiu: A Hipnose é um estado temporário de atenção modificada, que pode ser produzido por terceira pessoa e no qual aparecem diversos fenômenos espontaneamente ou em resposta a estímulos verbais ou outros. Destes fenômenos faz parte uma mudança da consciência e da memória, uma susceptibilidade aumentada para aceitar as sugestões adequadas em que o sujeito dá respostas ou idealiza situações que não são frequentes no seu estado anímico habitual. Fenômenos como a anestesia, a paralisia, a rigidez muscular e alterações vasomotoras, podem ser suprimidas ou produzidas quando o sujeito está em hipnose”. Esta organização determinou em 1962 o incremento do uso da Hipnose no tratamento de várias neuroses, na dor crônica, bem como em cirurgia e obstetrícia (Kroger 1963), o que nos assombra ao constatar que a nossa Segurança Social não comparticipa a despesa de tratamentos feitos com Hipnose. A Hipnose não tem contra-indicações e é usada tanto por profissionais, como por terapeutas credenciados em Psiquiatria, Medicina e, especialmente Psicologia. O estado hipnótico transforma comportamentos disruptivos e pensamentos irracionais, faz a integração emocional e cura comportamentos psicofisiológicos desadequados. A Hipnose não é uma terapia em si mesma, mas uma técnica especializada que pode empregar-se como potenciadora das abordagens Cognitivo-comportamentais, usadas no âmbito da Psicologia Clínica. Os estudos realizados nesta área mostram que a Hipnose, quando se usa numa abordagem Psicoanalítica ou Cognitivo-comportamental potencia consideravelmente os resultados. A investigação não tem encontrado provas irrefutáveis que evidenciem uma mudança de “estado” de consciência, quantitativa ou qualitativa, diferente do estado de vigília, pelo que concluímos que os fenômenos hipnóticos são providos de características psicológicas e sociais tais como a motivação, a expectativa de entrar em transe, a crença e a fé no hipnotizador, o desejo de agradar-lhe, aumentados por uma experiência agradável, no transe inicial que é sempre considerado como muito relaxante…. Sempre se disse que o “relaxamento” é a “aspirina” dos psicólogos; quer isto dizer que muitas perturbações são acompanhadas de grande ansiedade e que o relaxamento liberta com os consequentes benefícios daí advenientes. Aprendendo Auto-hipnose o paciente pode praticar o relaxamento no seu próprio domicílio, dando-se sugestões de calma, tranquilidade, relaxamento muscular, uso de imagens e de metáforas, etc., permitindo assim libertar o Psicólogo para tratar outros problemas graves. A Hipnose é muito eficaz para tratar medos e fobias, através da imersão ou da dessensibilização sistemática, por ex., sendo o paciente,depois, capaz de enfrentar os seus medos “in vivo”. A Hipnose também se usa na reestruturação dos pensamentos irracionais, presentes nos quadros depressivos (visão negativa de si próprio, do mundo e do futuro), conforme a tríade cognitiva de Beck. A Hipnose é útil para reforçar a Auto-estima, para superar adições, especialmente do tabaco. A Dor crônica pode aliviar-se com hipnossugestão. Enfim são numerosos os transtornos psicológicos em que o uso desta técnica é de interesse especial para a saúde do paciente.

BREVE EVOLUÇÃO HISTÓRICA

Ao longo dos séculos utilizaram-se e reutilizaram-se procedimentos mágicos, religiosos e posteriormente científicos. Os antecedentes do relaxamento e da Hipnose contemporânea apareceram, pela primeira vez, há cerca de 5.000 anos nos rituais mágicos do Egipto e da Índia. Rituais semelhantes persistiram no tempo dos Gregos e dos Romanos, durante o domínio Celta da Europa, até ao século XVIII. A base teórica destes rituais fundamentava-se na ideia de que um espírito vital, fluxo ou fluido magnético, podia passar de uma pessoa para outra. As técnicas incluíam imposição das mãos a atenção focada, a utilização de cânticos e encantamentos e até ímanes para controlar o fluxo do espírito vital. Foi Mesmer, com o seu método naturalista, o percursor directo da Hipnose contemporânea. Mesmer acreditava que os seres vivos possuem um fluido magnético que, quando desequilibrado, produz infelicidade e doença. Assim ele procurava transferir “fluido” para os pacientes o que lhes causava, a princípio convulsões e depois, após o equilíbrio dos “fluidos”, ficavam curados das enfermidades várias de que se queixavam. Mesmer falava da magnetização de objectos inanimados, como a madeira, o metal, a água…, da influência dos planetas no ser humano e de mais fenômenos estranhos. Enfatizava especialmente os seus “passes” (passagens pelo exterior do corpo, quase imperceptíveis), com o objectivo de “magnetizar” o paciente; nas curas que realizava havia a presença das convulsões iniciais, que considerava “efeito secundário curativo” provocado pelos passes e induções. O mesmerismo não resulta do magnetismo animal, nem de qualquer outro, mas da mera imaginação e teve grande influência na sua época. No século XIX Esdaile, entre outros, popularizou mais as propriedades anestésicas do magnetismo do que as “crises” mesméricas. A teoria do magnetismo animal foi totalmente recusada pelo Abade de Faria (1819) e posteriormente por James Braid (1843). Apesar d as teorias de Mesmer rapidamente terem sido ultrapassadas, alguns médicos ficaram impressionados pelos resultados que ele obteve. Dois cirurgiões ingleses, Eliotson e Esdaile realizaram várias intervenções cirúrgicas sem anestesia, apenas com Hipnose. Foi James Braid, outro médico inglês famoso, que mostrou que o facto de se fixar a atenção num estímulo único, contínuo e monótono, provoca um sono nervoso especial ou estupor, a que chamou Neuro-hipnotismo ou Hipnose. Braid foi iniciado no “mesmerismo” por Lafontaine, e publicou em 1843 um livro a que deu o título ”The Rationale of Nervous Sleep in relation with Animal Magnetism”. Rapidamente abandonou as explicações fisiológicas, passando a basear a Hipnose em aspectos mentais, imaginação e sugestão. A ideia inicial de uma inibição neuronal foi usada por Ivan Pavlov, pai do Condicionamento Clássico, que desenvolveu um conceito da fisiologia do sonho, que considerou como uma inibição cortical progressiva… Nos anos de 1890 e 1900, o neurofisiólogo Berlinense Oscar Vogt desenvolveu uma técnica de hipnose que é um antecedente das técnicas não autoritárias. Em vez de determinar as sugestões de modo autoritário, fazia-o de modo permissivo insinuando ao paciente o que queria que ele fizesse. Também hipnotizou os pacientes com a técnica progressiva e passado pouco tempo despertava-os. Por último descobriu que os pacientes eram capazes de fazer Auto-hipnose (Schultz y Luthe, 1959) e que ela tinha um valor terapêutico. Schltz J. H. Aproveitou esta descoberta para desenvolver o chamado Treino Autógeno de Schltz, sendo estas as primeiras investigações realizadas sobre a Auto-hipnose. Nos últimos anos do século XVIII, verificou-se uma grande controvérsia entre as escola de hipnose de Salpêtriere representada por Charcot e a de Nancy em que pontificava Bernheim. Defendendo este que a Hipnose se devia à sugestão e à imaginação, de características Psicológicas e introduziu os conceitos de profundidade da Hipnose (ligeiro, moderado e profundo). Charcot defendia que a hipnose era produto da histeria e de um sistema nervoso doente. Em 1884 e 1885 Charcot induziu, com hipnose paralisias e conseguiu a recuperação de memórias. Sigmund Freud foi discípulo de Charcot e as suas ideias influenciaram o inventor da Psicanálise. Freud foi um entusiasta de hipnose, mas mau hipnotizador, tinha um método de indução pouco elaborado, seco e autoritário. Em 1889 mudou de opinião, abandonou as ideias de Charcot e virou-se para a escola de Nancy, que era mais centrada na sugestão e começou a trabalhar com hipnose na recuperação de memórias reprimidas. Por último Freud abandonou a hipnose e criou a psicanálise em que os seus pacientes estavam plenamente conscientes dos seus processos mentais. O uso da hipnose diminuiu até há pouco tempo, embora continuasse a ser usada em investigaçoes de Clark Hull, nos anos trinta, mas que ficaram pouco conhecidas, embora em 1933 a sua publicação científica sobre Hipnose seja considerado um clássico. Foi a partir dos anos setenta (séc XX) que a Hipnose teve um renascimento muito significativo, sobretudo nos Estados Unidos devido à enorme influência de Milton Erickson, havendo, ainda assim, um escol de investigadores como T.X. Barber, Martin Orne, William Kroger y Herbert Spiegel, que são os responsáveis pelo incremento do interesse e do uso da Hipnose, que deixou de ser uma especialidade médica para passar para o foro dos Psicólogos. Hoje a Hipnose está altamente cotada quer no seu uso, quer na investigação. Nos últimos decénios, destacados investigadores e Instituições Internacionais do âmbito da saúde, salientam publicamente o seu reconhecimento no uso da Hipnose nos processos terapêuticos. Destes destacam-se: A Associação Médica Americana, a British Medical Association e a American Psychological Association. A criação da American Society for Clinical Hypnosis, The International Society for Clinical and Experimental Hypnosis e a European Society of Hypnosis in Psychotherapy and Psychosomatic Medicine,assim como outras organizações de âmbito estatal implementam a investigação científica, terapêutica, experimental e profissional de um grande número de investigadores e terapeutas que até agora têm trabalhado em completa solidão. Para um conhecimento aprofundado da Hipnose, recomendamos a consulta da investigação de Edmonston (1986), Gauld (1992), González Ordi, Miguel-Tobal e Tortosa (1992).

HIPNOSE, REVISÃO DE ALGUNS ASPECTOS CONCEPTUAIS E TEÓRICOS:

Sugestão: A sugestionabilidade define-se como a disponibilidade para aceitar e responder a ideias e informações novas. À medida que se transmite uma determinada informação, dependendo do seu valor intrínseco (afectivo, cognitivo..etc), esta pode alterar a percepção e o comportamento de uma pessoa em uma ou várias áreas da sua experiência vital. Essa influência pode ser aumentada se o receptor aceita novas ideias e experiências contribuindo assim para um tratamento com êxito usando a Hipnose. Sabemos que a sugestão tem um efeito extraordinário nas pessoas, e recorre a mensagens verbais e não verbais, temporais, circunstanciais, relacionais e arquetípicas. A capacidade de influenciar os outros (poder-se-á considerar como adaptativa, de um ponto de vista filogenético?), ou sermos influenciados tem a ver com uma característica existente no nosso cérebro que processa de forma automática, ou inconsciente, determinadas mensagens carregadas de informação, significativa ou não, sem ser mediada por uma análise crítica (aparentemente)?. É na experiência da sugestão que se baseiam tratados de oratória, marketing publicitário, o efeito placebo, a influência das massas, teorias da comunicação, etc. E nos processos de hipersugestionabilidade é evidente o poder da hipnose. Têm sido uma constante na prática da medicina o uso de sugestões no sentido da calma, da tranquilidade e despreocupação em relação à doença, com o objectivo final da redução da ansiedade, do medo e da preocupação do enfermo. Na consulta psicológica, a sugestão é relevante já que é decisiva a nossa capacidade de influenciar positivamente os nossos doentes. Uma sugestão, uma palavra orientada pode modificar um comportamento, uma emoção ou um pensamento ao incitar o paciente a ser ele próprio a modificar os seus comportamentos e a resolver, por si, os seus problemas.

A Hipnose, baseando-se na sugestão, à margem de toda a confusão histórica, constitui um procedimento válido para a modificação do comportamento. Para Yapko (1990) e para Erickson (1980) a sugestão é central no processo Hipnótico. Erickson define-a como “um estado de aceitação artificialmente reforçado,… e em que pode produzir-se uma dissociação normal)….. a Hipnose é, essencialmente, uma predisposição receptiva a ideias e à apreciação dos valores inerentes e significativos”. Erickson, utilizava procedimentos indirectos, usando as próprias histórias do paciente para efectuar a indução, utilizando conteúdos verbais significativos. Yapko considera a Hipnose como um processo em que o hipnólogo dá sugestões ao sujeito que entra num estado de hipersugestionabilidade e mostra uma “sensibilidade passiva à sugestão com tendência para aceitar o que lhe é dito devido à presença de um estado ambiguamente chamado “transe”. Weitzenhoffer (1989), também salienta a importância do papel da sugestão na Hipnose: “a Hipnose é um hipotético estado psicofisiológico caracterizado pela hipersugestionabilidade, do sujeito hipnotizado.” Experienciação de um Estado Subjectivo: Os primeiros praticantes da Hipnose julgavam que o sujeito reduzia ou perdia poder na sua mente lógica e consciente, deixando de ter capacidade crítica. Hoje considera-se que o indivíduo hipnotizado é capaz de ser criativo e imaginativo porque as restrições impostas pela mente “lógica” estão minimizadas. O que significa que com a diminuição do controlo da mente lógica a “razão” já não impede a tomada de decisões o que deixa o indivíduo mais criativo e sugestionável do que é habitualmente (Hawkins, 1998). A Hipnose provoca alterações nos processos linguísticos. A fala, a comunicação na lógica do transe, é interpretada de modo literal e focaliza-se mais nas próprias palavras do que nas ideias que expressam. Há uma diminuição do juízo crítico e um incremento da tolerância à incongruência (Hawkins, 1998). Yapko (1990) define hipnose como: “… um estado de relaxamento mental e físico, que favorece a hipersugestionabilidade”, “.. um estado de crepúsculo, a meio caminho entre o sono e a vigília…”, “um estado subjetivo de experiência em que o sujeito tem capacidades ou experiências geralmente consideradas como atípicas do estado “normal de vigília”. Atenção focalizada: O papel da atenção e da concentração é fundamental no processo Hipnótico. Yapko (1990): “O transe é um estado de atenção focalizada e dirigida para o interior de si próprio, ou para o exterior”. Waxman (1986) enfatiza a importância da concentração na voz do terapeuta: “A Hipnose pode definir-se como um estado alterado de consciência subsequente à concentração na voz do terapeuta, do que resultam mudanças mensuráveis a nível físico, neurofisiológico e psicológico que podem produzir alterações emocionais e sensoriais, da percepção e da imaginação”. Ao observar atentamente um indivíduo hipnotizado percebemos claramente que se encontra num estado de concentração profunda.

A consciência está focada em pontos concretos (um som, a voz do terapeuta, a música, um ponto brilhante, etc..), isolando-se do resto. Para melhor entender o processo utilizemos a metáfora da lupa: A energia está concentrada num ponto concreto. Na Hipnose, o processo de indução, adiante melhor explicado, consiste na concentração da atenção do sujeito. Atrai-se a atenção que se fixa em si mesmo ou no exterior a que se segue o aprofundamento. Dissociação: Há autores que consideram que, no transe hipnótico, acontece um “consciência paralela” definindo-se dissociação como a “capacidade para dividir uma experiência global em cada um dos seus componentes, ampliando a consciência de uma parte e a diminuição de outra”. (Yapko, 1990). Para Erickson a dissociação está intimamente relacionada com a indução hipnótica e serve para aprofundar o transe, embora tenha escrito que para o transe nem sempre seja preciso a dissociação, como quando uma pessoa tem a sensação de que uma parte do seu corpo se separa e a percebe como um objecto, por exemplo na levitação do braço. A dissociação, em hipnose, tem uma importância especial, entendendo-se como “separação”, “rompimento”, “divisão” etc…dos processos mentais, que normalmente estão unidos entre si, bem assim quando actos ou comportamentos acontecem à margem (ou fora) da consciência do sujeito, ou por um controlo indirecto. Hoje defende-se que aquilo que era considerado “dissociação” é comparável ao conceito de percepção subjectiva de involuntariedade na execução de determinados comportamentos em Hipnose (comportamentos automáticos). Há a percepção de que é o sujeito quem, voluntariamente, realiza uma acção mesmo percebendo que o faz involuntariamente, por exemplo a levitação do braço. A lógica do transe: Há um conceito criado por Orne (1959) que se refere àquilo que anteriormente classificávamos como dissociação Orne fala da capacidade de um sujeito, profundamente hipnotizado, para manter a sua atenção focada simultaneamente em perguntas, percepções ou ideias inconsequentes de um ponto de vista lógico. Para Orne, as alucinações (tanto positivas como negativas) são uma boa mostra da “lógica do transe”, da linguagem simbólica e (ou) estrutural dotadas da sua própria idiossincracia que acontecem no processo hipnótico. Teorias sobre a hipnose; estado alterado de consciência? Propuseram-se teorias e hipóteses diversas para explicar a Hipnose. Para um melhor conhecimento visite-se Crasilneck; Hall (1985) e Kroger (1977). As teorias da psicanálise identificaram a Hipnose com processos transferenciais, fenómenos histéricos, e regressões infantis provocadas. As teorías neurofisiológicas centram-se na relação entre Hipnose e sonho e recorrem à fisiologia para explicar os estados Hipnóticos (inibição cortical, mudanças bioquímicas, neurotransmissores e moduladores, dominância do hemisfério direito, etc.). As teorias psicofisiológicas privilegiam as relações entre a Hipnose e as respostas psicofisiológicas. As teorias psico-sociais fazem finca pé no papel das espectativas e da motivação e na psicologia da aprendizagem para explicar estes fenómenos. No entanto, todas estas teorias podem dividir-se em duas classes: Teoria do estado versus teoria do não estado, e teorias fisiológicas versus teorias psicológicas. As teorias do estado supoem que o estado de transe é qualitativamente diferente de outras experiências mentais humanas. Deste ponto de vista a hipnotizabilidade é uma espécie de capacidade, relativamente estável, com grandes diferenças individuais. Por outro lado, os teóricos do não estado consideram que os fenómenos hipnóticos são devidos a características psicológicas e sociais tais como a motivação, as expectativas de entrar em transe, a crença e a fé no hipnólogo, o desejo de agradar-lhe e uma boa experiência no primeiro transe..

CARACTERÍSTICAS DO ESTADO HIPNÓTICO

Os investigadores não chegam a acordo quanto a uma definição da natureza da Hipnose. Contudo, parece haver um amplo consenso, quanto às características que estão presentes na Hipnose. Para uma revisão destas características seguimos o inestimável trabalho realizado pelos investigadores espanhóis Miguel Tobal e González Ordí (1988):

1.Um aumento da sugestionabilidade (hipersugestionabilidade). 2. Para alguns autores, esta é uma das características principais do estado hipnótico; empregam-se sugestões adequadas visando provocar mudanças cognitivas, fisiológicas e comportamentais no indivíduo, estando este numa atitude mais receptiva. (Bowers, 1976; Gibson y Heap, 1991; Kroger, 1963; Wolberg, 1982). 2. Um aumento da capacidade imaginativa. Grande parte dos tratamentos Cognitivo-comportamentais são feitos com estratégias à base da capacidade de imaginar e visualizar. A Hipnose emprega técnicas de imaginação para induzir estados emocionais concretos, (Bower, 1981), para aumentar a responsividade do sujeito hipnotizado, (Hilgard, 1974) e usa metáforas. Está já fora de qualquer dúvida que a Hipnose potencia a capacidade do sujeito imaginar e visualizar. (Hilgard and Hilgard, 1979). 3. Um aumento emocional nas situações imaginadas pelo sujeito ou nas que o hipnólogo lhe sugere, que ele experimenta como reais…e é este facto, sem dúvidas já,que promove a cura terapêutica; portanto há que optimizar e catalizar o aumento da visualização e da imaginação. Por exemplo veja-se o procedimento de Cautela, Ellis, Meichenbaum y Beck). 4. Focalização da atenção nas sugestões verbais dadas pelo experimentador com focagem no próprio individuo, são os procedimentos padronizados da indução hipnótica, porque conduzem a atenção do sujeito para a voz do terapeuta e o que nela está implícito. (Bowers, 1976; Wickramasekera, 1988). 5. Distorção do espaço e do tempo. A concentração sensorial e a focalização progressiva da atenção provocam a perda das referências espacio-temporais e originam uma distorção subjectiva na medição e interpretação daquelas variáveis. (Wickramasekera, 1988) 6. Comportamento Automático. Spanos (1982) fala-nos da importância do conceito de involuntariedade ou (comportamento automático), relacionado com a “dissociação”, de que já falámos. Não se trata necessariamente de um estado modificado de consciência, mas de uma interpretação diferente, sensorial e ao nível dos estímulos que se faz de um facto observável. Quando em catalépsia de um braço, o sujeito interpreta a experiência como involuntária; o que acontece é que interpreta uma experiência objectiva de um modo particular. Esta sua interpretação é influenciada e facilitada pelas crenças do individuo sobre o fenómeno. 7. Diminuição da capacidade de análise lógico-racional e crítica das situações. (Ver o que se disse àcerca da “lógica do transe”). 8. Sensação de relaxamento profundo. Tradicionalmente pensava-se que a Hipnose produzia um relaxamento profundo; mas estudos recente parecem demonstrar que não existe necessariamente uma relação directa entre o relaxamento como sensação subjectiva e o relaxamento do ponto de vista da redução da actividade fisiológica. Neste sentido a Hipnose parece influir mais sobre aspectos subjectivos que sobre os fisiológicos, quando e sempre que não se empreguem sugestões para modificar estes últimos (González Ordí y Miguel Tobal, 1994). 9. Alterações psicofisiológicas, em relação directa com as características das sugestões. Na aplicação da Hipnose neutra (sem sujestões adicionais), parecem acontecer padrões de activação psicofisiológica também presentes nas técnicas clássicas de redução da ansiedade (relaxamento, meditação, treino autógeno). No entanto, quando se acrescentam sugestões específicas de mudança de determinadas respostas psicofisiológicas, parece que esse padrão de resposta se modifica na direcção indicada por essas sugestões. (Barber, 1961; Crawford e Gruzelier, 1992; Miguel Tobal e González Ordi, 1984 e 1993; Sarbin e Slagle, 1979 y 1980). O que acaba de se demonstrar evidencia o papel que a Hipnose pode ter na terapia Cognitivo-comportamental, já que pode condicionar positivamente o resultado do tratamento psicológico. O aumento da sugestionabilidade, o incremento quantitativo e qualitativo da imaginação, a implicação emocional, a focalização da atenção do paciente e a sensação de relaxamento profundo são os aspectos mais interessantes e úteis no que à clínica diz respeito.

HIPNOSE E TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL:

O que vimos até agora serve-nos para conhecer os rudimentos de uma técnica tão eficaz para usar na clínica, como é a Hipnose. Convém lembrar que a Hipnose é um catalizador das estratégias e técnicas que podemos aplicar no uso da terapia Cognitivo-comportamental a um paciente específico, com um problema determinado. A Hipnose não é uma terapia, de modo que o seu emprego estará sempre condicionado à prévia análise funcional do comportamento do caso que está a pedir a nossa intervenção, aplicada com as técnicas Cognitivo-comportamentais que julguemos adequadas. A psicologia muito se interessa pela sugestão e pela Hipnose. O emprego da Hipnose desenvolveu-se com as teorias e técnicas dos Psicólogos Cognitivo-comportamentais. Sem ir mais longe, Wolpe usa a Hipnose como meio de combater a ansiedade, na aplicação da dessensibilização sistemática O Treino Autógeno Schultz baseia-se na experiência prévia do autor no âmbito da Hipnose e da sugestão.

Definitivamente Krasner y Ullman (1965) reconhecem a utilidade da Hipnose na modificação do comportamento. A Hipnose esteve associada ao estudo da desssensibilização sistemática durante os anos sessenta (Wolpe e Lazarus utilizaram-na profusamente nas suas investigações. Cautela e Ellis também a usaram no tratamento terapêutico). Seguem-se alguma técnicas em que a hipnose é catalizador de sucesso: •Prática de relaxamento. • Treino da imaginação. • Dessensibilização sistemática com imaginação. • Imersão in vitro. • Condicionamento encoberto. Prefere-se o uso da dessensibilização encoberta e a modelagem, a cessação e reforço positivo encoberto. • Técnicas de Auto-controlo. • Emprego de Imagens. • Aproximações sucessivas (in vivo e in vitro) • Autoinstruções e estratégias de afrontamento. Emprego da Hipnose para nos recordar que possuimos estratégias para fazer frente aos problemas e facilitar o desenvolvimento de um programa de auto-instruções. • Treino para a solução de problemas e de outros procedimentos cognitivos (parar o pensamento). . Reestruturação cognitiva. Introdução de auto-afirmações e substituição de distorções cognitivas. • Terapia Racional Emotiva de Ellis. Hipnose Racional-Emotiva para substituir as emoções inapropriadas por apropriadas. • Projecção no tempo. (Lázarus). • Substituição de hábitos…. Merecem menção especial as técnicas de reestruturação cognitiva com Hipnose, às quais quer os clínicos, quer os profissionais mais reconhecidos têm prestado pouca atenção. Nomeadamente, Araoz (1985) mostrou que a Auto-hipnose negativa (aceitação e repetição sem críticas, de imagens e pensamentos negativos) podem superar substituindo-os por por imagens e pensamentos positivos e adaptativos. Um procedimento de reestruturação cognitiva, com Hipnose é aquilo que todos conhecemos: Detecção de pensamentos e ideias distorcidas, autocríticas e (ou) irreais; pede-se então ao paciente que tenha pensamentos e expressões alternativas, que substituem as negativas, (sugeridas pelo Psicólogo ou pelo próprio paciente); Não se procura só alterar as cognições mas o uso de imagens mentais que tenham uma conotação positiva…. González Ordi e Miguel Tobal (1993) fizeram a revisão dos aspectos que a prática da Hipnose potencia como coadjuvante de outras técnicas empregadas na terapia Cognitivo-comportamental. 1. Emprego da sugestão. Praticamente a totalidade dos fenómenos hipnóticos estão ligados a alguma forma de sugestão, directa ou indirecta. Também as escalas de sugestionabilidade hipnótica são baseadas em provas que recorrem à sugestão, conceito que vem sendo utilizando em dois sentidos: Como variável do procedimento (instruções hipnótica) e como variável do sujeito (sugestionabilidade). Este interessante binómio tem grande importância, não só para uma melhor compreensão do chamado processo hipnótico, mas também é de grande utilidade para delinear programas de intervenção Cognitico-comportamental, em diversas áreas e em dois sentidos: (1) considerar o grau de sugestionabilidade como variável moduladora, entre outras, dos efeitos das diversas técnicas de terapia comportamental. (2) uso do grau ou nível de sugestionabilidade como critério de eleição de um ou outro tipo de estratégia de intervenção. (González Ordi e Miguel Tobal, 1993). 2. Ênfase na imaginação. Tellegen (1978/1979) considera que a capacidade para se ser hipnotizado é a habilidade para responder de modo participativo com a imaginação em situações ou estados sugeridos, de forma que se experimentem como reais. 3 O uso de instruções de relaxamento. Uma grande parte das técnicas que usam os Psicólogos Cognitivo-comportamentais implicam o relaxamento (por exp. A desssensibilização sistemática, o condicionamento encoberto, a inoculação contra o Stresse, etc.)

A Hipnose é potenciadora de qualquer técnica de relaxamento. Apesar de a maioria dos autores afirmar que não há diferenças entre o uso só do relaxamento e aquele que é utilizado em Hipnose, quando se aplicam juntos obtêm vantagens: a rapidez com que se obtêm resultados, especialmente quando se usam sugestões pós-hipnóticas e não implica a necessidade de um treino prévio do paciente (Fernández-Abascal, 1979). Técnicas como o Treino Autógeno de Schultz (1959) constituem uma variação dos procedimentos hipnóticos 4. A modificação de atitudes, expectativas e motivação para a tarefa. A crença na Hipnose facilita-a. (Kroger, 1963). Qualquer estratégia de intervenção terapêutica maneja , certas espectativas e deve fazê-lo. As atitudes em direcção à mudança do Comportamento, potenciadas pelas expectativas, são fortalecidas com o uso da Hipnose. Vários investigadores centraram a sua pesquisa, clínica e experimental no manejo das expectativas dos pacientes. (Barber, Dalal e Carverley, 1968; Wedemeyer e Coe, 1981; González Ordi e Miguel Tobal, 1992; Lazarus, 1973 y otros). González Ordi y Miguel Tobal (1993), vêem uma relação frutífera entre o uso da Hipnose e a terapia comportamental especialmente ao nível de aplicação das seguintes técnicas: 1. Como técnicas dirigidas à modificação ou extinção de comportamentos: respostas psicofisiológicas, perturbações psicossomáticas, sugestões directas etc. 2. Como técnicas para favorecer o Auto-controlo e modificar expectativas e atitudes perante situações problema: sugestões pós-hipnóticas, treino de competências, incremento da Auto-eficácia e da Auto-estima, estratégias cognitivas. 3. Como técnicas coadjuvantes de outras Cognitivo-comportamentais, de condicionamento encoberto, dessensibilização sistemática, relaxamento etc..

CONCLUSÕES

Durante séculos, a Hipnose esteve rodeada de polêmica e de contradições. Nos últimos vinte e cinco anos, proveniente da Medicina, a Sofrologia de Caycedo, pertendeu mudar o nome querendo fazer valer o que considerava altamente benéfico sem ser desprestigiada pelo nome, de raiz grega (hypnos: sono)…. As definições acerca da sua natureza e características mantêm-se inatingíveis; há partidários do “estado” versus “não estado”; Berheim versus Charcot; magnetismo versus sugestão… No Simpósio Internacional sobre Hipnose e Psicologia Clínica que teve lugar em Almería (2000), fui testemunha desta polarização à volta da Hipnose; num dos momentos mais tensos do Simpósio, médicos dele participantes engalfinharam-se numa discussão muito acalorada com alguns dos convidados, participantes de uma Mesa Redonda. Aqueles, irritados encrespavam contra os opoentes a quem manifestavam o seu convencimento de que a Hipnoses é um estado modificado de consciência; os antagonistas, professores universitários (Psicólogos), expunham a sua convicção de que a Hipnose é puramente artefactual. Dir-se-á que continuamos sem significativos avanços científicos, pois continuamos a discutir o mesmo de há séculos. O que é certo é que as novas técnicas de neuroimagem estão a dar-nos resultados interessantes (ainda que confusos) que apontam para uma integração de mudanças funcionais do cérebro, mudanças psicofisiológicas e correlatos Cognitivo-comportamentais resultantes de uma indução hipnótica. A Hipnose é uma auxiliar excelente na redução da ansiedade; facilita a atenção e estimula a motivação do paciente que acorre à consulta; tem um resultado excelente em processos de exposição “in vitro”; em boas mãos, reduz o tempo de que o terapeuta precisa para as mudanças psicofisiológicas e comportamentais que o paciente deseja; As perspectivas da sua utilização em perturbações psicosomáticas (condicionadas por respostas psicofisiológicas) são imensas; favorece o emprego de estratégias de auto-controlo; é uma excelente ferramenta para modificar atitudes e expectativas, mediante situações problemáticas; definitivamente, a Hipnose é uma grande ajuda no trabalho do Psicólogo Cognitivo-comportamental. A Hipnose é uma técnica especializada, não uma terapia, com utilidade manifesta no âmbito da terapia comportamental; uma técnica que deveria juntar-se a todo o arsenal de procedimentos de um Psicólogo Cognitivo-comportamental. Dado o nosso compromisso com a sociedade, para a qual trabalhamos, o emprego massivo da Hipnose, na minha opinião, redundará em benefício directo de todos os pacientes que estão perturbados na sua saúde mental. Confio em que a investigação experimental, no campo da Hipnose e nas suas aplicações clínicas, ofereça, no futuro, o apoio necessário para a restituição histórica do lugar que merece a Hipnose na Ciência.

 

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