Impulsionando a vontade para a ação

Mudar de hábito cinto fita métricaA educação autêntica devia adaptar o homem à atualidade, sem grandes preocupações teóricas, evitando sempre os conhecimentos mortos de mera erudição, que só entulham a memória, sem avivar a inteligência e impulsionar a vontade para a ação. A humanidade, para ser feliz, carece de ensinamentos sólidos, em cuja aplicação sinta a fecundação das suas energias, traduzidas em realizações efetivas e aproveitáveis.

As necessidades da vida nos obrigam a encarar a realidade das coisas. …faz-se mister desenvolver o senso prático…

Cumpre, pois, educar-se realisticamente. O homem progressivo não pode continuar preso a convenções, preconceitos e erros que a razão lhe demonstrou serem perniciosos para o seu desenvolvimento. Por isso o aperfeiçoamento do indivíduo exige a quebra dos velhos hábitos, o rompimento com a rotina e a coragem para enveredar por novos rumos.

Para mudar de conduta, o homem precisa mudar de hábitos. Esta transformação, por vezes, implica violências em nosso modo de viver. Assim, passar da contemplatividade para a ação, ou vice-versa, requer muita força de vontade. O conhecimento desses fatos, contudo, dá-nos maior domínio sobre as nossas próprias faculdades e possibilita atitudes conscientes e ricas de resultados. Quem sabe agir sempre consegue o que quer. Como doutrinava o grande filósofo francês Bergson*: ‘Cumpre agir como homens de pensamento e pensar como homens de ação.’ A possibilidade de tomar a atitude conveniente diante das circunstâncias é grande poder para cada um de nós.

Assim, um espírito objetivo, prático e de cunho científico, ante os acontecimentos da vida e da História, não se porta inconvenientemente, deixando-se afetar moralmente pelos fatos, abatendo-se diante das dificuldades. Não. Limita-se a verificar a realidade, a lutar com valor contra ela, quando lhe for hostil. Garante-lhe esse processo a vitória.

O espírito objetivo, prático, de cunho científico, convém repetir, observa e analisa, com muita atenção, e espera que os fatos falem; induz com a imparcialidade dos dados reais. Não tem, deste modo, preconceitos, juízos errôneos, nem admite suposições arbitrárias e hipóteses falsas. Tal espírito muito progride.

Autor: Humberto Grande

 

* Henri-Louis Bergson (Paris, 1859 – 1941)

Texto adaptado do prefácio de Contabilidade Geral, cadernos do MEC, publicado em dezembro de 1971