Inverta os papéis com seu cônjuge

Casal sorrindo 1254x836É triste constatar, mas a pessoa mais fácil de ser subestimada por nós é provavelmente a pessoa que mais amamos no mundo – nosso cônjuge. É fácil se perder em seu mundo particular e nas responsabilidades, e aí pensar que a vida de seu cônjuge é mais fácil do que a sua, ou esquecer (ou nem mesmo perceber) que ele ou ela trabalha para nos ajudar. Essa tendência gera uma boa dose de ressentimento e, num nível elevado, é inevitável. A chave para a prevenção é se colocar no lugar dele ou dela.

Vou dar um exemplo sabendo que há milhões de exceções a esse estereótipo. Estou consciente de que no mundo de hoje muitos, na verdade a maioria das famílias divide responsabilidades em casa. Sei que há mulheres que trabalham fora enquanto seus maridos cuidam das crianças, em casa. Veja se consegue ver além dos meus estereótipos para alcançar a essência dessa mensagem.

Muitos de meus amigos homens caíram na armadilha de subestimar suas esposas. Posso relatar, no entanto, que muitos deles saíram dela usando essa estratégia. Um exemplo comum é um homem que trabalha e é casado com uma mulher que fica em casa (e é claro que faz a parte dela). Nesse exemplo tipicamente chauvinista, o marido se convence de que sua mulher é sortuda e minimiza a importância do papel dela. Ele acredita que as necessidades dela estão sendo atendidas porque ele trabalha fora. Ele raramente contribui para a casa e sua coleção de tarefas, as crianças e responsabilidades domésticas. Ele fica aborrecido quando lhe é pedido o mínimo. Ele tem absoluta consciência de que trabalha duro, mas subestima o que sua mulher faz.

É chocante (mas bom para um casamento) quando, em casos como esse, o marido tem de tomar conta da casa por uma semana, ou alguns dias porque sua mulher teve que se ausentar a passeio ou para visitar amigos. Muitos homens ficam tão assustados com essa sugestão que percebem o que ocorre, antes mesmo de passarem pela experiência. Eles percebem, com freqüência, quando chega sua vez, que são incapazes de realizar tarefas importantes do dia-a-dia da casa e da educação dos filhos. Eles também percebem como é exaustivo. É trabalho duro! A idéia, é claro, é inverter os papéis para recobrar o senso de gratidão bem como a compaixão pelo outro.

É claro que essa estratégia funciona para os dois lados. Também é muito comum que a mulher que trabalhe em casa subestime seu marido. Ela pode reclamar das noites em que ele chega tarde, os jantares perdidos, sem perceber como é difícil ganhar a vida assim. Na maior parte das circunstâncias, esse cônjuge irreal acaba invertendo os papéis por uma semana. Ele ou ela poderiam se beneficiar, no entanto, da tentativa de imaginar o que seria sair para ganhar a vida pela família. Pode ser uma experiência difícil para alguém que nunca teve um emprego.

O ponto principal desse exercício não é determinar qual o trabalho mais difícil, ou importante, mas reconhecer a importância e a inerente dificuldade de todos os aspectos da vida. Não importa qual sua situação pessoal, ou se seu cônjuge ajuda ou não no trabalho ou em casa, mas é uma experiência enriquecedora brincar com essa estratégia. Se você o fizer, poderá perceber e apreciar o quanto seu cônjuge faz por você, e como é por vezes difícil para ele ou para ela. Posso lhe assegurar que todo o mundo adora ser amado; quando as pessoas o são, elas se tornam mais divertidas.

Fonte: CARLSON, Richard. Não faça tempestade em copo d’água com a família. P 293 – 295.