Não espere más notícias para apreciar a vida

Às vezes somos confrontados com terríveis diagnósticos terminais. E além do choque que inevitavelmente experimentamos, é quase certo que ocorra outra coisa. Nossa vida comum passa a ser vivenciada com apreço desmesurado. As coisas que normalmente nos passam desapercebidas – risos, beleza, amizades, natureza, família e pessoas amadas, nossa casa – todas parecerão mais importantes e especiais do que anteriormente. Cada dia será saboreado como um dom e um milagre desejados. Mais ainda, todas as pequenas tempestades em copo d’água que tendem a toldar nosso cotidiano deixarão de ter importância ou serem dignas de atenção. As pequenas provocações que tendemos a valorizar esmaecerão. Nossa atenção se concentrará no dom imenso que é a vida.

Porque sabemos, com relativa certeza, de que essa será nossa reação às más notícias, pois foi a reação de muitos antes de nós, que valor pode existir em esperar para apreciar a vida? Em vez de adiar a experiência da gratificação para o momento em que você é forçado a ela pelas más notícias, porque não começa a valorizar sua vida agora mesmo? A vida é um milagre, e somos realmente abençoados por estarmos nesse mundo.

Uma boa possibilidade de iluminação pode ser obtida ao nos lembrarmos como ela é curta e frágil e como as coisas mudam rapidamente – num minuto temos um cônjuge e um filho, no momento seguinte, podemos perdê-los. Num minuto pensamos que viveremos para sempre – no seguinte descobrimos que isso não é verdade. Num dia apreciamos nossa caminhada habitual – no outro sofremos um acidente que impossibilita a caminhada. Num dia temos uma casa – no dia seguinte ela pode ter sido consumida num incêndio. Você está entendendo, não está? Há obviamente duas maneiras distintas de se encarar a incerteza e a fragilidade da existência. Uma delas é se sentindo arrasado e assustado pela inevitabilidade das mudanças, incluindo aquelas que nos são dolorosas. A outra, mais positiva, usa o mesmo conjunto de dados para fazer da incerteza um lembrete constante: que nunca nos esqueçamos de agradecer.

Somos tão íntimos, e gastamos tanto de nosso tempo em nossas casas, que é fácil esquecermos de dar a devida atenção à nossa família, posses, ambiente, privacidade, segurança, conforto e todas essas coisas que nossas casas oferecem. Como existe em nós essa tendência, é importante que nos lembremos sempre de como somos abençoados por ter uma casa, por mais modesta que seja. Precisamos reservar algum tempo (talvez minutos) todos os dias para pensar sobre o assunto e expressar, se for possível, a gratidão pelo papel importante que nossas casas têm em nossa existência. Em vez de aguardar más notícias para apreciar o dom da vida, tornemos essa apreciação uma parte integral de nossas vidas agora. Se começar agora, poderá desfrutar mais alegria em sua casa do que jamais julgou possível. Experimente. Aposto que você tem muito mais a agradecer do pensa.

Carslson, Richard. Não faça tempestade em copo d’água com a família: maneiras simples de evitar que as responsabilidades diárias e o caos doméstico tomem conta de sua vida. Rio de janeiro: Rocco: 2000. P. 67-69