Os dez mandamentos da formação do psicólogo

1. Uma formação básica, pluralista e sólida.

Espera-se romper o conceito limitado de atuação psicológica que os alunos trazem ao ingressarem no curso, produto da imagem socialmente dominante da profissão.

2. Uma formação generalista.

A maioria dos cursos de Psicologia concentram-se suas atividades na área clínica, com participação mínima de áreas como trabalho, educacional, comunitária e outras.

3. Uma formação interdisciplinar.

É importante que a formação interdisciplinar norteie o curso, pois a Psicologia não tem como dar conta, sozinha, da compreensão do fenômeno humano.

4. Preparar o psicólogo para uma atuação interpessoal.

A inserção em contextos organizacionais e institucionais impõe novos desafios ao exercício profissional do psicólogo, mesmo no que se refere ao seu núcleo clássico de atuação.

5. Assegurar uma formação científica, crítica e reflexiva.

O termo formação científica associa-se à ideia de reflexão sistemática acerca dos conhecimentos recebidos e das práticas realizadas. Neste ponto entra a importância da crítica.

6. Permitir uma efetiva integração teoria-prática.

O aluno deve participar da atividade profissional como um aprendiz, responsabilizando-se, progressivamente, por tarefas ou afazeres crescentemente mais complexos.

7. Compromisso com o atendimento das demandas.

Deve haver um compromisso político e ideológico com a mudança social que se apóia em uma perspectiva crítica em relações sociais.

8. O compromisso ético deve permear todo o currículo.

O código de ética do psicólogo aponta a atuação do profissional para a noção de compromisso político-social e a relevância do seu papel face à realidade da sociedade brasileira.

9. Romper o modelo de atuação tecnicista.

A imagem do profissional como aquele que testa ou avalia características psicológicas, detecta desvios ou distúrbios, ainda marca fortemente a imagem social da profissão.

10. Possibilitar a construção de uma identidade profissional.

É necessário destacar o compromisso social da profissão, discutindo que toda a escolha teórico-técnica é também uma escolha política e de um tipo de sociedade.

FONTE: Consciência, Informativo do Conselho Regional de Psicologia – 5ª Região – Ano 2 – nº 13, abril 2000, p. 11​