Princípio da relevância

O princípio da relevância: nele se busca o maior ganho cognitivo com o menor custo. Na comunicação, o espaço de compreensão dos enunciados é construído juntamente com o processo de interpretação e nunca dado previamente.

A Teoria do Princípio da Relevância com orientação cognitiva, desenvolvida por Sperber e Wilson (1986/1995) esclarece como o ouvinte usa suas internalizações, crenças e atitudes ao escolher certas afirmações quando interpretam o enunciado do falante.

Razão do hiato existente entre o dito e o assimilado. A compreensão é facilitada quando o enunciado é considerado relevante por produzir efeitos contextuais, ou seja, interage com memória enciclopédica do receptor.

A complexidade que aparece no diálogo demonstra que vários processos dialógicos podem ocorrer simultaneamente, sejam eles implicaturas, acarretamentos, inferências dos mais variados tipos, entre outros. A Teoria da Relevância de Sperber & Wilson (1995/2012), como um modelo de comunicação ostensiva, podem apresentar possíveis aplicações à descrição e análise dos mecanismos inferenciais presentes na linguagem natural.

O diálogo é em si um excelente gênero para ilustrar o complexo processo de comunicação humana.

A comunicação humana é baseada em diálogos e não em enunciados estanques.

Portanto, as teorias pragmáticas, em especial a concepção do Princípio da Relevância da Teoria da Relevância e o conceito de implicatura de Grice (1975), tem o propósito de sistematizar as abduções (teorizações) que terapeuta e paciente constroem durante as sessões de psicoterapia. 

Além disso, o número significativo de implicaturas conversacionais em relação ao número de enunciados, solidificam a importância de se utilizar os modelos lingüísticos pragmáticos na compreensão da comunicação psicoterápica. Se tantas implicaturas são geradas, sua interpretação, ou seja, a interpretação do implícito da comunicação, é essencial para se compreender as intenções comunicativas dos sujeitos dos diálogos psicoterapêuticos.

Wainer, Ricardo, Castellá Sarriera, Jorge, Piccoloto, Neri Maurício, Piccoloto, Luciane Benvegnu, Pergher, Giovanni Kuckartz, Barbosa, Márcio Englert, & Dornelles, Vinícius Guimarães. (2005). Da adivinhação à dedução: os processos inferenciais em psicoterapia cognitivo-comportamental. Aletheia, (22), 23-40. Recuperado em 12 de setembro de 2015, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-03942005000200003&lng=pt&tlng=pt. .