Quando o trabalho se torna um vício

Quem trabalha em excesso por desejo próprio, deixando de lado o lazer e afastando-se da família e dos amigos, pode ser considerado um workaholic, expressão em inglês com origem nas palavras alcoholic (alcoólatra) e work (trabalho). Os workaholics transformam o trabalho na principal razão de viver. Eles não deixam de pensar na atividade profissional até mesmo quando vão dormir ou comer. Quem tem essa síndrome não sofre com o excesso de trabalho, mesmo que isso extrapole o horário de expediente e atrapalhe os fins de semana.

As pessoas viciadas em trabalho somente se dão conta do problema quando a família e os amigos começam a se afastar. Outro alerta é o aparecimento de sintomas de estresse, insônia, pressão alta e depressão e surtos de mau humor. Juntamente com o vício do trabalho, surgiu um novo distúrbio chamado Síndrome do Lazer, que pode ser definida pela presença de crises de ansiedade, angústia, dores de cabeça e/ou musculares, náuseas e fadiga em indivíduos que se encontram fora de suas atividades.

Esse distúrbio, que afeta homens e mulheres que apresentam comportamento compulsivo pelo trabalho, manifesta-se nos fins de semana, feriados prolongados e principalmente nas férias. As causas desses dois problemas são associadas à alta competição entre os profissionais, que se sentem pressionados a produzir mais e melhor, e às novas tecnologias na área de comunicação.

Quem trabalha em excesso e não separa nenhum tempo para o lazer deve ficar atento. Os problemas relacionados ao trabalho podem ser tratados com profissionais de psicologia e, em alguns casos, de psiquiatria.

 

(PREVI – Viver Bem – Sua Saúde)

O Eu ObsessivoA orientação a ser tomada pelo trabalho terapêutico será no sentido de por em evidência, de uma forma progressiva, que o ideal é inimigo do sujeito, ataca-o sob a aparência de ser seu exaltador e defensor. No caso de um dos nossos pacientes, seu comportamento mostra-se insistentemente orientado no sentido de alcançar um reconhecimento completo de seus méritos, na qualidade serviçal, atento, sacrificado na satisfação de todo tipo de necessidades manifestadas por aqueles que o cercam.

Em nível inconsciente, multiplica constantemente esses esforços, como se “os aperfeiçoasse” até o limite do humanamente possível – e não adianta o prêmio não vem. Esgota-se, deprime-se, desilude-se, não sabe para onde dirigir a sua raiva impotente. Boa parte dessa raiva se dirige a si mesmo, tomando a forma de uma exigência implacável: não há alívios, nem intervalos, nem desfalecimentos aceitáveis; a máquina tem de dar tudo de que é capaz. O trabalho terapêutico se orienta na direção de uma ampla perspectiva de insight: compreender que, para além de cada fracasso episódico, o terrível está no ideal, dotado de uma perfeição sobre-humana, ou seja, anti-humana.

(Hector Juan Fiorini in Estruturas e Abordagens em Psicoterapias, p. 65).