Seja um antropólogo

AntropólogoA antropologia é uma ciência que lida com o homem e suas origens. Nessa estratégia, no entanto, eu convenientemente redefino o objeto da antropologia como “o interesse, sem preconceito, no modo como as pessoas escolhem viver e se comportar”. Essa estratégia é voltada para o desenvolvimento de sua compaixão, bem como formas de se tornar mais paciente. Acima de tudo, no entanto, o interesse no modo como as pessoas agem é uma forma de substituir julgamentos por amor verdadeiro. Quando você se torna genuinamente interessado no modo como as pessoas reagem ou sentem a respeito de alguma coisa, é improvável que você se sinta, ao mesmo tempo, aborrecido. Desta maneira, ser um antropólogo é um bom caminho para nos tornarmos menos frustrados pelas ações dos outros.

Reagindo de forma apropriada

Quando alguém age de um modo que lhe parece estranho, em vez de reagir de sua forma habitual, com atitudes como: “Não posso acreditar que estejam fazendo isso”, tente dizer para si mesmo algo como: “Este deve ser o jeito que ela vê as coisas em seu mundo. Muito interessante.” Para que essa estratégia lhe possa ajudar, no entanto, ela tem que ser tentada com convicção. Há uma fronteira estreita separando o estar “interessado” do “ser arrogante”, ou seja, acreditar, em seu íntimo, que o seu jeito de fazer as coisas é melhor.

Uma experiência sem preconceitos

Estive recentemente num shopping local com minha filha de seis anos. Um grupo de roqueiros punks passou por nós, com seus cabelos espetados cor de laranja e tatuagens espalhadas por quase todo o corpo. Minha filha imediatamente me perguntou, “Papai, por que eles estão vestidos assim? São roupas típicas?” Há muitos anos eu teria proferido algum julgamento a respeito desses jovens, revelando minha frustração – como se o jeito deles fosse errado e o meu, conservador, o correto. Eu teria cuspido alguma explicação cheia de preconceitos e passado para ela meus pensamentos. Fazer de conta que sou um antropólogo, no entanto, mudou bastante minha perspectiva; abrandou minhas reações. Respondi para ela: “Não tenho certeza, mas é interessante como todos somos diferentes, não é?” Ela respondeu, “É, mas gosto mais do meu cabelo”. Em vez de ponderar sobre o comportamento dos outros e gastar nossa energia, esgotamos o assunto e continuamos a aproveitar nosso tempo.

Compartilhando do ponto de vista do outro

Quanto você se interessa pela perspectiva dos outros, não quer dizer, nem de leve, que você os esteja endossando. Eu certamente não escolheria um modo de vida punk ou sugeriria para quem quer que fosse. Ao mesmo tempo, no entanto, não é minha função julgá-los. Uma das regras básicas para a vida feliz é pensar que julgar os outros consome grande energia e, sem exceção, o desvia do caminho que você gostaria de trilhar.

Referência

Carlson, Richard, Ph. D. Não Faça Tempestade em Copo D’Água… E tudo na vida são copos d’água… Editora: ROCCO, Rio de Janeiro. 1ª Edição 1998, Páginas:276