Sem essa de anjinho e diabinho! Quem manda nessa cabeça aqui sou eu!

anjinho-e-diabinho-1Sabe aquela briga entre o anjinho e o diabinho?

Aquela discussão entre as duas vozes, uma querendo te ajudar e outra te atrapalhar? Quem nunca assistiu o duelo entre uma voz dizendo “desista, pare, você está cansado” e uma outra voz dizendo “cheguei até aqui, vou seguir, vou conseguir”?

Acho que todos nós já tivemos que lidar com isso e já fomos capazes de ouvir a voz do anjinho e a voz do diabinho. Mas será que estamos sendo capazes de perceber as artimanhas do diabinho transvestido de anjinho ou até mesmo dando os créditos ao anjinho quando ele tenta nos dar alguns alertas? Tenho certeza que a grande sabedoria está em ser capaz de assistir esta discussão e atribuir os argumentos ao lado correto na luta entre “o bem e o mal”. Tenho certeza que minha duplinha anda estudando psicologia e filosofia, desafiando a minha capacidade de análise.

Numa briga clássica, basiquinha entre anjinho e diabinho, o diabinho aparece tentando parar seu treino, postergar sua ida para a academia, fazer você dar aquela escapadinha na dieta. E lá vem o anjinho com muito boa intenção dizendo para seguir com o treino, garantir logo a ida à academia e manter a dieta bem à risca. Sem grandes emoções até, nada de novo.

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Um duelo mais denso e complexo entre o anjinho e o diabinho exige de nós muito mais perspicácia e atenção às nuances de comportamento. Imagine que você acorde muito cansado e uma voz diz para que descanse; você vem de semanas de aumento de volume e está mesmo muito cansado. Eis que você assiste a discussão:

– Melhor descansar, amanhã estará melhor. (voz1)

– Esta sensação já era sabida, afinal você vem de semanas de aumento de volume. (voz2)

– Se for treinar assim, não vai render o suficiente. (voz1)

– Esta fase vai preparar a sua cabeça para a prova, tem que aprender a lidar com o cansaço. (voz2)

– Todas as vezes que você não ouviu seu corpo, você se lesionou. (voz1)esc

– Melhor tentar treinar. Saia e veja como se sente, se não conseguir seguir pare! Mas sequer tentar? (voz2)

E aí? Quem é o anjinho e o diabinho nesta história? A voz 1 ou a voz 2?

Imagine que você está seguindo uma alimentação super controlada quer seja para perder peso, ganhar massar, ter ganhos de performance ou tudo isso junto. Depois de 2 meses nesta disciplina bacana, você vai a um casamento, lá vem a discussão:

– Nem pense em sair da dieta. (voz3)

– Vou comer um ou outro trequinho fora da dieta, nada que causará grandes estragos. (voz4)

– Tanto sacrifício até aqui pra fazer isso? Por quê? (voz3)

– Eu mereço! Afinal de contas, não quero virar um ET. Estão TODOS comendo e eu serei a única pessoa a não tocar em nada? (voz4)

– E daí que estão comendo? Amanhã tudo já terá passado e você vai se arrepender! (voz3)

– Acho saudável para a manutenção da dieta ter um ou outro dia em que eu saia da dieta, mesmo que de leve. (voz4)

Ah! As vozes 1 e 2 ou as vozes 3 e 4 têm argumentos que podem ser usados para o bem ou para o mal.

E a quem dar ouvidos? Por muito tempo adotei uma linha rasa: ouvia sempre a voz mais “dura”, que mais me aproximava de uma máquina. Descobri a duras penas que o anjinho também pede para parar, diminuir, desistir. Foi então que decidi tomar as rédeas das minhas decisões, nem anjinho nem diabinho, quem manda nesta cabeça aqui sou eu.

Acho que arrumei uma boa desculpa para trazer a reflexão do quão é importante não lançarmos mão de soluções únicas, absolutas, que desconsiderem o cenário e o momento. Uma mesma postura pode ser boa ou ruim, dependendo de quem a avalia. Muitas de nossas opiniões ou ações não são boas de forma “absoluta”. Mesmo achando que estamos seguindo por um caminho bacana, ele pode ser uma péssima opção quando analisamos o contexto de forma mais abrangente.

Falando de treinos e alimentação, muitas vezes seguir o prescrito não é a decisão mais sábia. Eu mesma já fiz uso da desculpa de estar seguindo uma planilha para fazer algumas besteiras, como treinar muito quebrada, emagrecer demais e por aí vai. Temos que ter maturidade e sabedoria para não delegar quaisquer de nossas decisões a nenhuma outra entidade, nem mesmo o anjinho.

Que nós tenhamos sabedoria para assimilar que “há certo que é errado e errado que é certo” e também paciência para aceitar que “nem tudo tem solução no presente” e que algumas coisas se resolvem com o passar do tempo, como diz Nilton Bonder em algumas das obras que já li.

Minha duplinha anda lendo Bonder, tenho certeza. =)

aline-carvalhoEscrito por Aline Carvalho

Engenheira por formação, triatleta por opção, dotada de uma mente inquieta típica de filósofos, com grande paixão pela leitura. Tem a psicologia como força motriz de suas relações. Executiva de uma empresa multinacional, concilia sua rotina estressante no trabalho com seus treinos para provas de longas distância, que vão desde maratonas e ultras até Ironman. Conserva um sonho arrojado: disputar o RAAM, uma prova de ciclismo tida como uma das provas mais difíceis do mundo. Em seu curriculo esportivo contam 13 maratonas, 3 ultras, 1 meio Ironman e 2 Ironman. A sua maior emoção no esporte foi completar Comrades Marathon.

Disponível em: http://www.papodeesteira.com.br/blogs/filosofando-no-triathlon/anjinho-diabinho-manda-nessa-cabeca/

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